Bebê não tinha hematomas
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quinta-feira, 26 de abril de 2001
Edna MendesDe Londrina 
O médico-legista Luiz Comegno, do Instituto Médico-Legal (IML) de Bandeirantes, afirmou ontem que o exame de lesões corporais realizado no garoto Mateus da Sena, de cinco meses, não comprova que o bebê foi vítima de tentativa de estrangulamento. A criança é neta do índio guarani Vicente Cândido de Lima, 39 anos, e estava nos braços dele quando ele foi morto pela Polícia Militar, na segunda-feira, na Reserva Laranjinha, em Santa Amélia. A PM alega que matou o índio porque ele tentava estrangular a criança.
Comegno disse que o exame constatou algumas escoriações leves no pescoço e no sub-maxilar da criança, como se fossem marcas de unhas. O médico disse ainda que o bebê não apresentava hematomas. Com esses ferimentos eu não posso confirmar que o índio tentou estrangular a criança. É uma situação difícil porque examinei o bebê mais de 24 horas depois do fato, afirmou.
O médico explicou que a criança não apresentava lesões e nem fraturas em nenhuma outra parte do corpo. Quando eu o examinei, ele estava bem, disse. O laudo sobre o exame será encaminhado à Delegacia da Polícia Federal, em Londrina, que abriu inquérito para investigar o caso.
Ontem, o procurador federal da Funai, Derli Cardoso Fiúza, esteve na reserva indígena acompanhado do administrador regional da Funai, José Gonçalves dos Santos. Até o fechamento desta edição eles não haviam retornado a Londrina.
O índio foi morto durante uma ação da PM para libertar o bebê, que segundo familiares dele, estava sendo ameaçado de morte por ele. O cabo da PM Nilson dos Santos disparou dois tiros contra o índio, que estava desarmado. A PM afirma que o policial agiu em legítima defesa da criança.


