Bebê morto pela mãe é enterrado no RS
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quarta-feira, 02 de julho de 2008
Thiago Alonso<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - O dia de ontem foi longo para os envolvidos no caso da mãe que jogou, na noite de segunda-feira, a filha de oito meses do sexto andar de um prédio no Centro de Curitiba. A auxiliar de enfermagem Tatiane Damiane, 41 anos, que matou a filha atirando-a do prédio que viviam, está detida no Complexo Penal Feminino de Piraquara, Região Metropolitana de Curitiba (RMC).
Até o final da tarde de ontem, não havia pedido na Vara de Execuções Penais (VEP), órgão do juciário responsável pelo caso, que solicitasse a transferência dela para o Complexo Médico Penal (CMP).
Ao mesmo tempo em que aguardava um exame de avaliação psicológica e assim definir como será julgada - até agora Tatiane foi acusada de homicídio doloso (com intenção de matar) - o corpo de Mariana era enterrado na cidade de Colorado, no Rio Grande do Sul. O corpo chegou à terra natal da mãe de Mariana por volta das 9 horas de ontem e, após ser velado na capela São João Batista na cidade de quatro mil habitantes, foi enterrado às 14 horas no Cemitério Municipal de Colorado
A avó, Rachele Lurdes Damiane, que está em Curitiba para acompanhar as investigações, disse apenas que estava chocada com o fato. A madrinha do bebê, Rosane Damiane, diz que os moradores de Colorado não acreditaram no que aconteceu.
A delegada responsável pelo caso, Eunice Vieira Bonome, do Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crime (Nucria), corre para encerrar o inquérito até o final de semana. O superintendente do Nucria, Luiz Augusto Dias de Souza, diz que os depoimentos da maioria dos envolvidos já haviam sido colhidos, como a avó e o pai da criança, Sérgio Oliveira Teixeira, de 33 anos.
Procurado pela reportagem, Teixeira não quis se pronunciar.
Souza informou que Tatiane já passou pelo exame toxicológico, que pode comprovar se ela estava sob efeitos de medicamentos. Além disso, o superintendente informou que já a polícia já solicitou os exames psiquiátricos, que devem ser realizados em breve.
Além deles, a polícia passou o dia ouvindo outras testemunhas. Agora, diz Souza, a polícia aguarda os laudos Instituto de Criminalística para encerrar o inquérito. ''É um caso em que não há muito o que contestar. A mãe confessou o crime desde o primeiro momento'', diz.
Perícia
Em entrevista à imprensa na terça-feira, Tatiane colocou em xeque a própria sanidade mental, afirmando que já passou por dois hospitais psiquiátricos e que estava tomando um remédio psicotrópico de uso controlado. A perícia feita no apartamento em que Tatiane morava com Mariana não encontrou, porém, nenhum tipo de medicamento de uso psiquiátrico. ''Achamos receituários e receitas, mas ela é auxiliar de enfermagem. Encontramos um vidro dentro da bolsa dela que continha um líquido sem cheiro e que foi enviado para análise química'', diz a perita criminal Clélia Sila Hamera. Ela conta que os únicos medicamentos encontrados era uma caixa de anticoncepcional e um remédio para tratamento de problemas na tireóide.


