Foi sepultado na tarde de ontem, no Cemitério Parque das Oliveiras, o bebê Nicolas Guilherme Borges Teixeira, de apenas 1 mês e 28 dias. O pai da criança, o consultor de vendas Cristiano Narciso Teixeira, atribui a morte do filho a paralisação dos prontos-socorros dos hospitais filantrópicos de Londrina.
Apesar de ter plano de saúde, a família se deparou com uma grande quantidade de pessoas que aguardavam atendimento no pronto-socorro do Hospital Mater Dei e por isso resolveu levar o menino para o Hospital João de Freitas, em Arapongas, onde o bebê não resistiu e morreu por aspiração de conteúdo gástrico.
Segundo Teixeira, seu filho começou a passar mal por volta das 21h30 do sábado, depois de ter recusado a mamadeira praticamente o dia todo. ''Quando vi ele mal fiquei desesperado porque lembrei que os hospitais estavam parados. Então comecei a ligar para a Santa Casa, para o Evangélico e todos disseram que só o Mater Dei estava atendendo. Liguei lá e me informaram que não tinha pediatra no local e que o atendimento estava demorando de duas a três horas'', comentou.
Teixeira chegou a passar na frente do Mater Dei mas não entrou porque ficou preocupado com o tempo de espera e por isso começou a ligar para os hospitais da região. ''Eu vi aquele pronto socorro lotado e não quis esperar. Isso poderia acontecer com qualquer um, com o filho de qualquer pessoa'', lamentou o pai. ''Só consegui encontrar uma pediatra em Arapongas e por isso fui pra lá. Nessas horas você não sabe o que faz com seu filho passando mal. Se o pronto socorro do Mater Dei não estivesse cheio meu filho talvez poderia ter sido atendido'', desabafou.
A assessoria de imprensa do Mater Dei informou que na noite de sábado havia dois pediatras de plantão e que apenas 14 pessoas chegaram a ser atendidas na pediatria entre o horário das 19h às 0h.
A Folha procurou o vice-presidente da Associação Médica de Londrina (AML), Álvaro Luiz de Oliveira, para comentar o caso mas ele preferiu não falar até que se informasse sobre o que aconteceu. Para o secretário municipal de saúde, Agajan Der Bedrossian, a morte da criança não tem ligação direta com a paralisação dos demais hospitais porque, segundo ele, o público que aguardava atendimento no PS do Mater Dei não seria atendido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). ''Ao meu ver, o pai procurou um atendimento que o seu plano pudesse oferecer. Nós tínhamos o Pronto Atendimento Infantil (PAI) que funciona 24 horas e até onde eu fiquei sabendo ele não procurou ajuda lá'', disse.
Abalada com a morte do filho, a mãe da criança, Seila Borges, lembrava ainda o quadro do bebê poucos minutos antes de sua morte. ''Quando a gente chegou em Arapongas ele já estava começando a ficar com a respiração fraca. É muito triste perder um filho assim'', desabafou.

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