O Instituto Médico Legal (IML) de Londrina informou ontem que foram recolhidas amostras do conteúdo do estômago da menina Jussara da Silva Bernardo, 39 dias, para exame toxicológico. O bebê morreu no domingo de manhã, depois de dar entrada no Hospital Infantil em estado gravíssimo. O pai dela, Edson Bernardo, 26 anos, foi preso em flagrante e teria confessado à polícia que espancou a filha. No início da tarde de ontem, a menina foi sepultada no Cemitério da Saudade (Zona Norte).
O exame dos restos estomacais foi pedido pela Polícia Civil. A suspeita é de que o pai tenha dado para a filha parte de um comprimido que ele tomava indicado para epilepsia, convulsões, transtornos bipolares, entre outros problemas. ''A análise foi requisitada para saber se ele deu o medicamento e se isso pode ter contribuído para a morte do bebê'', apontou o chefe-administrativo do IML, Fernando Piccinin. O resultado do exame deve ser conhecido dentro de 10 dias.
A menina morreu na manhã do último domingo, após dar entrada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Infantil. Ela apresentava fraturas nas pernas, em um dos braços e traumatismo craniano. O pai foi detido e, na delegacia, teria confessado ao delegado Lanevilton Moreira que havia espancado a filha porque o bebê não parava de chorar. As agressões aconteceram na casa da família, no assentamento Nossa Senhora Aparecida (Zona Norte). No meio da tarde, a pequena moradia de madeira foi saqueada e queimada por moradores revoltados.
A mãe, que também estava em casa, não teria conseguido impedir o crime. Ela foi levada para uma Casa Abrigo da Secretaria Municipal da Mulher, que atende vítimas de violência doméstica. A secretária da Mulher, Maria Aparecida Ramalho, disse que uma equipe havia conversado com ela, que aparentava estar transtornada com o que houve. ''Percebemos que é uma pessoa bastante humilde e está transtornada com o que houve. A família dela é de outra cidade e em Londrina ela não tem parentes. Disse que acordou com o barulho do marido batendo na filha e que tentou impedir, mas não conseguiu. A rede de serviços da Prefeitura vai encaminhá-la para um outro abrigo pois ela não sofre nenhuma ameaça para continuar no abrigo para vítimas'', disse.
No início da tarde, a mãe esteve no IML para fazer o reconhecimento formal da filha e a liberação do corpo. O bebê foi sepultado momentos depois, no Cemitério Jardim da Saudade (Zona Norte).
Morando em uma casa emprestada, a família vivia em uma situação de risco social. De acordo com o Conselho Tutelar da Zona Norte, a mãe, de 26 anos, que havia dado à luz a poucas semanas, já teria entregue para adoção um outro filho, de dois anos, que hoje vive com uma família de Cambará (PR). O pai, que seria ex-morador de rua estava desempregado e, ao que a FOLHA apurou, sofre de problemas psicológicos. (Colaborou Fernanda Borges)

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