O bebê encontrado por populares no Córrego Saltinho, no Conjunto Jamile Dequech (Zona Sul de Londrina) na tarde de anteontem foi morto por asfixia mecânica. A informação foi confirmada ontem pelo responsável administrativo do Instituto Médico Legal (IML), Fernando Piccinin, depois da conclusão do laudo pericial. Com a confirmação da causa da morte, os médicos descartaram a possibilidade de que o bebê pudesse ter sido abandonado ainda com vida no local. As características da ação também apontam para a participação de pelo menos duas pessoas no crime.
O bebê era recém-nascido, do sexo feminino, branco e pesava 3,25 kg. Ele foi encontrado por volta das 15 horas por crianças que brincavam no córrego, um lugar comumente usado como área de lazer pela comunidade. De acordo com funcionários do Colégio Estadual Jamile Dequech, a única escola a atender os moradores do bairro, as crianças contaram que colegas que nadavam no rio teriam visto um veículo azul metálico se aproximar do córrego e jogar um pacote no local. Ao mexerem na sacola as crianças encontraram o bebê e chamaram um adulto, que acionou o corpo de bombeiros.
''A asfixia mecânica pode ser provocada tanto por um travesseiro ou com as próprias mãos, quanto por um acidente. Não podemos determinar se a morte foi dolosa ou culposa'', explicou o responsável administrativo do IML. ''O que podemos dizer com certeza é que a mãe deu à luz um bebê com vida e que a morte aconteceu imediatamente após o nascimento. O corpo ainda estava com cordão umbilical'', continuou.
Piccinin também acredita que mais de uma pessoa tenha participado do crime. ''Logo após o parto, a mãe não teria condições físicas para promover toda a ação sozinha'', disse. As investigações, inicialmente a cargo do delegado do 6º Distrito Policial, Algacir Ramos, podem apontar tanto para homicídio quanto para infanticídio.
''O sufocamento do bebê pode ter sido provocado de forma intencional, mas temos que considerar que algumas mães, em estado puerperal, ficam com ódio do filho recém-nascido, tornando-se capazes de agredir a criança. Neste caso, o crime é de infanticídio e a pena é reduzida, mas só exames psiquiátricos podem determinar se foi isso o que aconteceu'', explicou o delegado adjunto da 10 Subdivisão Policial de Londrina (10 SDP), Márcio Amaro.
O IML deve manter o corpo da criança por mais 30 dias e retirar uma amostra do sangue para exames de DNA. ''No caso da identificação de suspeitos, poderemos comparar o código genético para comprovar a maternidade'', afirmou Piccinin. ''A comunidade pode ajudar com as investigações se apontar à Polícia Civil informações sobre mulheres grávidas que perderam a barriga recentemente, mas que não estão com os próprios filhos'', completou. Denúncias podem ser feitas à Polícia Civil pelo telefone 197.

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