Apesar de ainda não ter uma definição sobre o futuro, Rebeca, o bebê encontrado num matagal da BR-369 (Zona Leste de Londrina) na noite de 16 deste mês, já é uma cidadã. A certidão de nascimento da criança foi solicitada pela promotora da Vara da Infância e Juventude, Édina Maria de Paula, para que a criança passasse a ''existir'' juridicamente. ''Até então ela não existia perante a lei, agora o bebê tem um documento.''
O pedido é feito com base na Lei de Registros Públicos, número 6015, artigo 61, parágrafo único, que prevê a elaboração do documento de forma diferenciada, mas com a mesma validade. Na certidão, chamada de Recém-Nascido Exposto (RNE), pode constar ou não um nome pelo qual o bebê está sendo chamado, a data em que foi encontrado, a idade aparente, as condições em que estava, o tipo de roupa que usava. Os dados, segundo a promotora, vão servir para uma futura identificação da criança.
Édina esclarece que a possibilidade de adoção é grande e poderá acontecer nos próximos dias, já que a mãe e os parentes da menina não foram encontrados para dar explicações sobre o caso. A tentativa de localização da família está sendo feita pelo 2º Distrito Policial, onde foi aberto um inquérito para apurar o caso. Um levantamento das crianças nascidas há um mês nas Unidades Básicas de Saúde foi solicitado, na tentativa de identificar se a mãe passou por atendimento médico durante a gestação.
No início da próxima semana, Rebeca poderá ser entregue para o primeiro casal da lista de espera por adoção, que hoje tem uma fila de 60 casais. ''Não posso ficar esperando uma resposta da delegacia para identificar a mãe. A prioridade é a criança que precisa de um lar e dos cuidados de uma família'', informou a promotora, que está aguardando o fim do prazo dado pela juíza da Vara da Infância e Juventude, Fabiana Bressan, para a criança ser encaminhada para adoção.
Segundo a promotora, a expectativa é de resolver não apenas a situação de Rebeca, mas de todas as crianças que estão em instituições para serem adotadas. Édina explica que em muitos casos a Justiça luta para que a criança seja reintegrada à família verdadeira, mas que nem sempre isso é possível. ''Nessa tentativa, muitas crianças acabam ficando anos nas instituições, sem a família verdadeira e sem pais que têm intenção de adota-las.''
A promotora informou que muitos pais procuram os filhos nas instituições e depois abandonam novamente. ''Isso cria uma expectativa muito grande nas crianças, que nunca sabem se vão voltar para casa ou se vão ganhar uma nova família. Queremos evitar isso e dar a essas crianças uma família de verdade.''

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