Curitiba - O Hospital de Clínicas (HC) de Curitiba é o primeiro da América Latina a realizar transplante de sangue de cordão umbilical em um bebê de um mês. A criança sofre de uma doença genética chamada leocodistrofia de células globóides ou doença de Krabbe, que causa deficiência de enzima e consequente degeneração grave do sistema neurológico. Em todo o mundo, apenas nove crianças dessa faixa etária sete nos Estados Unidos e duas no Canadá foram submetidas a esse tipo de transplante.
De acordo com a hematologista do Serviço de Transplante de Medula Óssea do HC, Carmem Bonfim, o transplante, realizado no início de março, foi bem sucedido. Em três semanas, o bebê Eduardo, apresentava 100% das células do doador. Mas por ser experimental, o risco de morte ainda é grande. Ontem, o estado do bebê era grave. Segundo Carmem, ele teve uma complicação pulmonar em consequência da quimioterapia, procedimento a que o paciente tem que ser submetido antes de receber o sangue do doador.
Os pais do bebê, vindos do Ceará, procuraram o Centro de Genética Médica do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) logo depois que souberam da gravidez, pois a primeira filha do casal já havia apresentado a doença. No caso de Eduardo, a doença foi identificada ainda no útero, quando o feto tinha cerca de oito semanas de gestação.
O HC de Porto Alegre procurou o HC de Curitiba, que já é referência no transplante de medula óssea. Em Curitiba, a equipe de hematologistas passou a fazer os exames de compatibilidade e buscar um doador. O sangue transplantado em Eduardo veio de Nova York, onde está o maior banco de cordão umbilical do mundo. Para Carmem, o diagnóstico precoce é de extrema importância, pois o transplante só pode ter sucesso antes da doença comprometer o sistema neurológico.
Eduardo será acompanhado durante um ano para que os médicos possam avaliar se as células novas estão produzindo a enzima que estava faltando.

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