Bebê é sequestrado dentro de hospital
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sexta-feira, 12 de fevereiro de 1999
Marcos Zanatta 
Um bebê com apenas um dia de idade foi sequestrado ontem do Hospital São Judas Tadeu, em Ubiratã (96 quilômetros ao sul de Campo Mourão). Uma mulher morena clara, cabelos castanhos, curtos e encaracolados, aparentando 20 anos, dentes perfeitos e cerca de 1,65 metro de altura, é a única pista da polícia. A mulher, segundo a delegada Tany Razera, de Ubiratã, foi até o hospital anteontem se dizendo parente de um paciente internado e conseguiu ir até o setor dos apartamentos. O hospital tem 40 leitos.
A suspeita entrou no quarto onde estava Cleusete Santos Rodrigues, 35 anos, moradora do município de Anahy, que tinha acabado de dar à luz um menino com 2,9 quilos, registrado ontem com o nome de Luiz Renato. Ela disse à mãe que estava no hospital visitando o avô, e que voltaria ontem com um presente para o bebê. Ninguém desconfiou de nada porque muitos pacientes idosos de toda a região são atendidos pelo hospital, disse a delegada Tany.
Ontem, com o mesmo motivo alegado - visitar o avô -, a mulher conseguiu entrar no hospital no início da manhã, levando um presente para o bebê. A mãe, que mora em um sítio, se preparava para sair do hospital. Enquanto uma vizinha arrumava as malas, Cleusete foi para o banheiro, e as duas não perceberam quando a mulher saiu com o bebê do quarto. Ninguém viu a mulher sair pela portaria. Ontem, Clausete teve que ficar no hospital, em estado de choque, enquanto o marido, Luiz Carlos Rodrigues, fazia o registro da criança. O casal tem mais três filhos.
A delegada Tany diz que todas as pessoas que tiveram contato ou viram a mulher não a conhecem da cidade. Ubiratã tem cerca de 24 mil habitantes. Ela acredita que a suspeita é profissional e agiu com o apoio de pelo menos mais uma pessoa. Enfermeiras e funcionários do hospital que foram ouvidas pela polícia não viram nenhum veículo estranho nas proximidades do local do sequestro, mas a delegada tem certeza que a mulher fugiu de carro. Nenhuma pessoa com as descrições dela, ou com um bebê, saiu da cidade de ônibus. Checamos todas as empresas que operam aqui, disse.
Ontem mesmo ela acionou todas as polícias da região, o setor especial de crianças da Polícia Civil e as entidades de defesa da criança. No início da tarde, o retrato falado da suspeita estava sendo elaborado por peritos do Instituto de Criminalística de Cascavel. O dono do hospital, o médico José Carlos Abreu, passou o dia todo acompanhando o trabalho policial, e não atendeu a Folha.


