Curitiba - Um bebê do sexo masculino, com aproximadamente dez dias de vida e pouco mais de dois quilos, foi abandonado na noite do último domingo, por volta das 20 horas, na porta do Santuário Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, no bairro Alto da Glória, em Curitiba. O bebê, encontrado por fiéis que assistiam à missa, passou a segunda-feira recebendo cuidados no Hospital Infantil Pequeno Príncipe e, assim que receber alta, será encaminhado para um abrigo.
A Polícia Militar (PM) foi acionada pelas pessoas que encontraram a criança. A PM encaminhou o bebê para o programa SOS Criança, da Fundação de Ação Social (FAS) de Curitiba, que registrou o caso e o encaminhou ao hospital para que recebesse os primeiros cuidados. Junto com a criança, que estava bem agasalhada, envolta em uma manta e dentro de uma banheira, foi encontrado um pequeno bilhete deixado pela mãe.
No bilhete, a mãe pede perdão ao filho e diz que em breve voltará para encontrá-lo. Em nenhum momento, porém, revela as causas do abandono. A carta diz, na íntegra: ''Escolhi vocês por acreditar que farão o melhor por esta criança iluminada. Peço a Deus que lhe dê saúde e que encontre alguém de bom coração que lhe dê conforto. Estarei te olhando e rezando por você sempre e mesmo que não venha a me perdoar, eu prometo que em breve eu voltarei para te encontrar meu filho. Me perdoa, te amo.''
Roseli Carvalho Muraski, coordenadora do Resgate Social, órgão ligado à FAS, diz que o caso vai ser encaminhado para o Juizado da Vara da Infância e Juventude e para o Conselho Tutelar. O futuro do bebê depende da decisão dos órgãos. Segundo ela, se a mãe resolver aparecer, a criança pode voltar para ela, mas sob acompanhamento do Conselho. A coordenadora, porém, não acredita que isso venha a acontecer. ''O mais provável é que este bebê seja encaminhado para adoção.''
Segundo Roseli, a investigação da família do bebê ocorre quando existem indícios de quem é mãe. No caso deste abandono, diz ela, não há nenhuma pista concreta. ''Dificilmente haverá uma investigação'', afirma Roseli.
Luis Augusto Dias, superintendente do Núcleo de Proteção da Criança e Adolescente Vítimas de Crime (Nucria), ligado à Polícia Civil, diz que em casos como este a investigação é muito difícil. Segundo ele, a investigação parte de diligências no local do abandono, checando se há alguma testemunha. Outro aspecto abordado pela polícia é a checagem em hospitais e maternidades. Nesse caso, confere-se a lista de recém-nascidos nos últimos dias. A participação da população por meio de denúncias, segundo Dias, também é importante para a polícia chegar até a mãe.

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