Anna Paula Caldeira comemora hoje 14 anos de idade. Nada de excepcional se ela não fosse a primeira latino-americana de proveta. A menina entrou para a história por ter nascido através de uma técnica que, na época, revolucionou a medicina. É a fertilização in vitro, que apesar de já estar superada por novos avanços, continua sendo uma das opções mais usadas pelas mulheres que não conseguem engravidar naturalmente. Não há qualquer estatística que comprove, mas especialistas da área afirmam que depois de Anna Paula, mais de cem bebês de proveta nasceram no Estado.
Apesar de todo o assédio que vive desde que veio ao mundo num pequeno hospital de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, Anna Paula tem uma vida normal. Ela cursa a 8ª série e nos horários de folga faz inglês, sapateado e ginástica. ‘‘Não me incomodo de dar frequentes entrevistas. Para mim tudo é normal porque foi assim desde que nasci’’, diz.
A mãe de Anna Paula, Ilza Caldeira, também encara a situação com naturalidade. ‘‘Só lembro do assunto quando vocês (a imprensa) me ligam’’, diz. Mas ela acredita que a história ficará marcada para sempre, principalmente por ter se tornado uma esperança para muitos casais que vivem o drama de não poder ter filhos. Antes de Anna Paula, Ilza já tinha sido mãe por cinco vezes, mas uma peritonite -inflamação na cavidade abdominal- impossibilitou uma nova gravidez. Vivendo um segundo casamento, ela e o marido, José Antônio, resolveram participar da experiência da fertilização in vitro.
Assim como Ilza e José, vários casais brasileiros, por uma série de problemas, acabam não podendo ter filhos. O ginecologista Rosires Andrade, professor de Reprodução Humana do Hospital de Clínicas, diz que de todos os casais que tentam engravidar, 15% não consegue. Destes casos, 50% são motivados porque as mulheres apresentam problemas nas trompas. Mas a produção pequena de espermatozóides também é um caso comum que impossibilita a gestação de muitas mulheres.
Quando o casal resolve buscar a ajuda da ciência, os tratamentos começam com as formas mais simples, rápidas e baratas. Sem resultados, os especialistas oferecem as técnicas mais complexas, e também caras. É o caso da fertilização in vitro. Um tratamento como esse custa em média R$ 4 mil por mês.
Depois da técnica do bebê de proveta, surgiu ainda a injeção intra-citoplasmática, que também é bastante usada. Parecida com a fertilização in vitro, a técnica consiste em retirar um óvulo da mulher, colocá-lo numa incubadora junto com 100 mil espermatozóides e depois devolvê-los à mulher, segundo o ginecologista Ricardo Teodoro Beck. A maioria das técnicas oferece índices de fertilidade em torno de 20%, que é o considerado normal inclusive entre os casais que engravidam naturalmente.

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