Bebê de poucos dias é abandonado em matagal
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quarta-feira, 18 de janeiro de 2006
Marta Ortega <br>Reportagem Local 
Rebeca. É assim que o bebê encontrado na noite de segunda-feira num matagal na BR-369, na saída para Ibiporã (Zona Leste de Londrina), está sendo chamado pelas enfermeiras do Hospital da Zona Norte. A criança que aparenta entre 12 e 15 dias de vida, foi abandonada por uma mulher, a suposta mãe, que foi vista por uma testemunha entrando no mato com o bebê no colo e saindo em seguida, sem ele.
Uma denúncia anônima através do 190 da Polícia Militar (PM) fez com que uma viatura policial do Conjunto Lindóia (Zona Leste) se deslocasse até o terreno indicado pelo denunciante. Sem conseguir encontrar a criança, os policiais solicitaram reforço da 2 Companhia da Zona Norte, que encaminhou mais duas viaturas e quatro policiais até o local. Depois de uma varredura no terreno, os policiais conseguiram localizar a menina, que estava no chão, próxima ao muro de um motel da região, enrolada em um cobertor.
Com algumas picadas de insetos pelo corpo, o bebê foi encaminhado com urgência ao Hospital da Zona Norte, onde recebeu os primeiros cuidados. A chegada ao hospital foi acompanhada por uma conselheira do Conselho Tutelar, acionada pela polícia.
Os exames constataram que a criança é normal, respondia a todos os estímulos e apenas sentia fome. Depois do banho e de ser amamentada pelas enfermeiras de plantão, o bebê adormeceu.
Ontem pela manhã, o Conselho Tutelar foi até o hospital para fazer a retirada do bebê e o encaminhamento a uma instituição, que será responsável pelos cuidados da criança até que a Justiça defina o futuro dela. A instituição não teve o nome divulgado pelo Conselho.
Depois de ser amamentada e pesada, onde três quilos foram confirmados, a menina foi levada para a instituição. Segundo o vice-presidente do Conselho Tutelar Sul, Luiz Bárbara, que acompanhou a retirada da criança junto de outra conselheira, o bebê fica à disposição da Justiça, que deve encaminhá-lo para adoção. ''Já elaboramos um relatório sobre o caso, que será encaminhado ao Ministério Público e à Vara da Infância e Juventude.''
Bárbara também solicitou a abertura de um inquérito policial para identificar a mãe ou a família da criança. Ele acredita que as chances da mãe ficar com a criança são ''mínimas''. ''Ela terá que passar por avaliações psiquiátricas e psicológicas, até mesmo, pela possibilidade de estar enfrentando a depressão pós-parto. Mas acho difícil que ela consiga o bebê de volta.''
O conselheiro afirma que o ato é considerado crime, passível de pena. ''É um crime passível de pena, por abandono de incapaz, mas tudo precisa ser avaliado neste caso, principalmente a situação da mãe e os motivos que a levaram a agir assim.''
Pela lei, se ninguém da família se responsabilizar pela criança, ela será entregue para adoção. Hoje, o Fórum de Londrina tem uma lista de 60 casais aguardando por uma criança. ''Neste caso, o primeiro casal da fila será beneficiado'', afirmou Bárbara.


