Depois de anos driblando a falta de equipamentos, o Núcleo de Odontologia para Bebê (Bebê Clínica), da Universidade Estadual de Londrina (UEL), começa a viver dias melhores. Dois computadores e outros equipamentos acabam de ser adquiridos com recursos obtidos com o curso de especialização em odontopediatria. Uma verba governamental - totalizando R$ 950 mil - enviada ao curso de Odontologia também vai permitir a compra de equipamento digital para raio-x e novos aparelhos de ar-condicionado.
As aquisições deverão amenizar o paradoxo vivido hoje pela Clínica. Mesmo sendo referência no Brasil e no Exterior no atendimento odontológico de bebês, a sua sede localizada na Rua Benjamin Constant, Área Central ainda abriga duas salas abarrotadas de pastas com fichas de pacientes. São milhares deles. Só na área de prevenção - crianças que começam a ser atendidas antes dos seis meses de vida - foram 15.670 nos últimos 19 anos.
Mensalmente, são atendidas cerca de 600 crianças para tratamento educativo e preventivo e aproximadamente 250 no pronto-socorro. São pequenos pacientes que vêm dos estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul e de todo o Paraná. ''Tem dia que são feitos até 15 atendimentos no pronto-socorro'', informa o diretor da Bebê Clínica, Antonio Ferelle.
O auge da falta de recursos humanos e materiais, segundo Ferelle, foi há cerca de dois anos. Na época, a clínica vinha conseguindo informatizar o atendimento graças a alguns computadores usados, frutos de doação. Mas como não havia recursos para a manutenção, os equipamentos tiveram que ser encostados e a fichas voltaram a ser preenchidas à mão.
Problema parecido foi enfrentado com quatro aparelhos de ar-condicionado, doados pela Associação Odontológica em 1996. O ambulatório chegou a ter as janelas lacradas para a instalação dos aparelhos, mas faltou dinheiro - cerca de R$ 1,7 mil - para 'puxar' a fiação adequada. Até o final do ano passado - quando uma empresa particular doou os recursos necessários - os aparelhos ficaram ociosos, com professores, acadêmicos e pacientes enfrentando dias intermináveis de verão.
Ferelle afirma que com os computadores novos, será possível voltar a informatizar os atendimentos. Além disso, a clínica ganhou da Receita Federal, no ano passado, um computador tipo notebook, um DVD e um aparelho de som. ''Hoje em dia não posso reclamar. Com a chegada dos novos equipamentos, vamos suprir nossas necessidades materiais'', observa o diretor, lembrando que já existe um projeto de implantar na clínica residência em odontopediatria.
Para Ferelle, a defasagem que ainda persiste é no número de funcionários no setor administrativo. ''Faltam pelo menos mais quatro funcionários. Nossa sorte é que o pessoal que está aqui é muito bom e uns ajudam os outros'', elogia. Atualmente a Bebê Clínica tem 25 empresas apoiadoras, dispostas a socorrê-la quando for preciso, que vão desde indústrias de produtos odontológicos a fábrica de café.
Serviço: a Bebê Clínica fica na Rua Benjamin Constant, 800 (Área Central), fone (43) 3323-9455. São feitos atendimentos preventivos, em bebês até seis meses, e de urgência, no pronto-socorro.

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