Bebê atropelado permanece internado em coma profundo
PUBLICAÇÃO
domingo, 28 de dezembro de 1997
Carmem Murara 
Curitiba
O bebê Lucas de Jesus Medeiros, de dez meses de idade, teve uma ligeira recuperação, mas ainda permanece em coma profundo. Ele está internado na UTI do Hospital Evangélico desde o dia 25, quando foi atropelado na faixa de pedestres pelo estudante Guilherme José Pedroso, 20 anos. Os médicos têm poucas esperanças na recuperação do garoto. A família já registrou queixa na 1ª Delegacia de Acidentes de Trânsito.
O último boletim médico divulgado ontem, às 13 horas, apontava uma sutil recuperação. Lucas evoluiu do estado três para o quatro na escala Glasgow, que mede o nível de reflexo neurológico de uma pessoa. A escala vai do número três (coma profundo) até 15 (estado normal de resposta a estímulos). Mas a melhora é praticamente imperceptível. O boletim médico, assinado pelo neurocirurgião José Antonio Maigué, diz que o bebê está com instabilidade hemodinâmica, diabetes insípidus e ventilação mecânica, isto é, respira somente por aparelhos. O prognóstico médico aponta como muito grave a situação dele.
Diretor clínico do Hospital Evangélico, Maingué informou que o garoto deu entrada na UTI já em estado de coma. Ele estava com traumatismo cranioencefálico grave e apresentava ainda edema cerebral severo com contusão pulmonar.
Lucas foi atropelado quando atravessava a Avenida Manoel Ribas na altura do portal de Santa Felicidade. Ele estava sendo empurrado dentro de um carrinho de bebê pela mãe, Zenaide de Jesus Padilha. Segundo testemunhas, o semáforo estaria fechado para os carros, mas o estudante Guilherme Pedroso teria furado o sinal. Ele dirigia um Mitsubishi, placas AFK 9317, junto com o pai José Pedroso Moraes, proprietário da rede de lojas de móveis Pedroso. O carro não parou para atender as vítimas, que foram socorridas pela Guarda Municipal. O rapaz que atropelou meu filho, nem ninguém da família dele, nos procurou até agora, disse Eveli Medeiros, pai de Lucas. A Folha ligou para as lojas Pedroso para tentar falar com o pai do estudante ou com o próprio Guilherme, mas não conseguiu localizá-los. Eles não retornaram as ligações.


