Um dia antes de ganhar uma família, o destino novamente deu uma guinada na vida de Pedro Rafael. O bebê abandonado em uma rua da Zona Leste, no último dia 15, vai ficar por mais um tempo em um abrigo para recém-nascidos e sob tutela do Estado, enquanto se espera o resultado de exames para determinar se a mulher de 26 anos que se apresentou anteontem à polícia é realmente a mãe dele.
Se a mulher não tivesse aparecido, o primeiro casal da lista de espera para adoção poderia ter iniciado ontem o processo. De acordo com o juiz substituto da Vara da Infância e da Juventude de Londrina, Paulo César Roldão, serão feitos exames para detectar se a mulher teve gravidez recente e de DNA, para determinar se ela é a mãe do bebê. ''Só após esses exames e a análise da justificativa da mulher, será definido o destino da criança'', explicou. A decisão deverá ficar por conta do juiz titular, Ademir Ribeiro Richter, que volta das férias após o Carnaval.
Ontem, a mulher de 26 anos - e não de 29, como havia sido divulgado - contou ao delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial, Sérgio Barroso, que teria namorado um rapaz por cerca de 10 meses, ficado grávida dele mas escondeu a gravidez até da própria família. Ao entrar em trabalho de parto, por volta das 15 horas do dia 15, ela teria ligado para o pai da criança para pedir ajuda e saiu de casa para se encontrar com ele na rua. E ali mesmo teria dado à luz, como ficou comprovado pelas marcas de sangue encontradas no local.
Em seguida ao parto, ela declarou ter sido agredida pelo namorado. Além disso, o bebê teria sido entregue ao rapaz para que fosse levado até o Hospital Universitário para receber atendimento médico. No entanto, o bebê acabou abandonado na calçada, a poucos metros de onde aconteceu o parto. Poucas horas depois, o comerciante Luiz Carlos de Oliveira, 43 anos, encontrou a criança quando seguia para o trabalho.
Barroso disse que a versão da mãe precisa ser investigada porque ela não soube informar nem mesmo o sobrenome do namorado. Além disso, a jovem foi ouvida dois dias depois de o bebê ter sido encontrado mas negou que fosse a mãe da criança.
Outro fato que pesa contra a mulher é que ela própria admitiu que a primeira filha dela, que hoje tem nove anos, teria nascido em casa e que a família só teria descoberto a criança por causa do choro. ''Precisamos comparar as versões e se isso ficar comprovado, tanto ela quanto o pai do bebê serão indiciados e responderão pelo mesmo crime'', apontou o delegado-chefe.
A mulher foi submetida anteontem a exame ginecológico no Instituto Médico Legal (IML), que vai apurar se ela esteve grávida e se deu à luz recentemente. Além disso, foi colhida uma amostra de sangue para que seja feito o exame de DNA para comprovar a maternidade. O mesmo procedimento deverá ser adotado com o pai, quando ele for localizado.
A Polícia também deverá requisitar alguma medida protetiva em favor da mãe, pois ela afirma que mentiu em seu primeiro depoimento porque teria sido ameaçada de morte pelo namorado.

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