O educador da FAS Moisés de Oliveira Gomes se aproxima do mendigo Eleomar Pereira Suet, 46 anos, e o chama pelo nome. Caído num canto da calçada da Rua Comendador Araújo, centro de Curitiba, Pereira está bêbado e exala um cheiro insuportável: das próprias fezes. O ‘‘cocô’’ aparece nos pés e, como companhia, o mendigo tem um bando de moscas. Ao ouvir a voz de Gomes, o indigente retruca: ‘‘Estou bem. Eu não estou bêbado. Estou dando um tempo na cachaça.’’
Gomes tenta convencer Pereira a acompanhá-lo à FAS, para, pelo menos, tomar banho. O mendigo recusa todas as propostas do educador. ‘‘Não, não. Deixa eu ficar assim mesmo’’, repete, insistentemente. Apesar das luvas cirúrgicas brancas, Gomes sequer se aproxima do indigente, desmotivado pelo odor. Depois algumas tentativas de convencimento, Gomes desiste.
Entra em cena o policial militar Edson Luiz Silva e uma incontida truculência. ‘‘Se você voltar aqui, na frente dessa loja, mais uma vez vai tomar banho no (Presídio do) Ahú. Se não vai por bem, vai por mal’’, ameaça o soldado, num ríspido tom de voz.
Calmo, cambaleando por causa da bebida, Pereira se levanta e se afasta, sem aceitar a ajuda do educador e repetindo a expressão ‘‘tudo bem’’. ‘‘É uma coisa normal. Todo dia eles voltam para a cachaça’’, conforma-se Gomes.(J.A.)

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