Dezembro é um dos meses mais esperados do ano: confraternizações no trabalho, festas de Natal e Ano Novo, importantes motivos para se comemorar a vida e, quase sempre, 'bebemorar' os sucessos e fracassos do ano que passou. Também é no fim do ano que aumentam as ocorrências ligadas ao consumo exagerado de bebidas alcoólicas.
O clínico geral Tercílio Turini, que trabalha no Hospital Universitário de Londrina, confirma o aumento no número de atendimentos a pessoas embriagadas ''não só no dia do Natal e do Ano Novo, mas na véspera e durante todo o mês de dezembro''.
Segundo ele, há uma subnotificação das ocorrências, pois somente os casos mais graves de embriaguez são atendidos no Pronto Socorro. ''Muitos dos que exageram na bebida não procuram hospital'', disse Turini, citando o coma alcoólico como um dos resultados mais negativos de uma bebedeira comemorativa, perdendo apenas para os acidentes de trânsito. ''Tem também aqueles que passam mal com a bebida e apresentam sintomas como vômito, dor abdominal, dor de cabeça'', completou o médico.
Para ele, a partir da aprovação da Lei Seca, em vigor há seis meses, a população passou a se cuidar mais e houve diminuição nos acidentes. ''Mas passado algum tempo, as estatísticas voltaram ao que eram antes, acho que o povo relaxou de novo'', opinou Turini, assinalando ainda um aumento no número de jovens que abusam do álcool. ''Estão bebendo cada vez mais cedo e em maior quantidade.''
Bombeiros
Colisões, quedas de moto, afogamentos, agressões e ferimentos por arma de fogo ou arma branca integram a lista de casos atendidos diariamente pelo Siate, como citou o capitão Luiz Alberto Bueno Cândido. Segundo ele, como os bombeiros não estão equipados para aferir um possível estado de embriaguez no paciente atendido, cabe à Polícia Militar realizar o teste do bafômetro. ''Por isso não temos registros de quantas ocorrências atendidas têm ligação com o consumo de bebida alcoólica'', comentou.
Ainda conforme o capitão, cabe também aos policiais incrementarem a fiscalização no trânsito. ''Quando o cidadão fica sabendo que a polícia não tem bafômetro ou que a polícia relaxou nas blitze, o indivíduo tende a se arriscar mais e ai é que acontecem os acidentes'', reiterou Cândido. Para ele, a Lei Seca veio para reduzir o número de ocorrências, mas ainda é preciso intensificar o controle dos motoristas.
Outro fator que preocupa os bombeiros no fim do ano é a combinação álcool e banho, seja de mar ou de piscina. ''Muitos são os registros de pessoas alcoolizadas que seguiram de festas diretamente para o mar e se afogaram. Um problema ainda maior são os adultos que esquecem das crianças quando bebem: são comuns casos de crianças que se afogaram na piscina ou até em baldes cheio d'água porque estavam sem a supervisão dos pais'', alertou o capitão.
Em época de festividades, outra consequência frequente é a ressaca do dia seguinte. Dados do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa), organização não governamental lançada em 2004 pelo psiquiatra e especialista em dependência química Arthur Guerra de Andrade, reforçam que o uso de medicamentos utilizados para prevenir a ressaca não é eficaz e, pior, pode potencializar a ação lesiva do álcool sobre a mucosa gástrica. ''Este tipo de remédio pode, ainda, agravar a inflamação do estômago e piorar as náuseas e vômitos, no caso de conter a substância ácido acetil salicílico'', informou o psiquiatra.

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