Beatriz mostra possível marca de choque elétrico
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 25 de março de 1998
Guilherme Pupo 
Marcelo AlmeidaBeatriz contou que frequentava o terreiro de umbanda de MarcineiroOs advogados de defesa das rés Beatriz e Celina Abagge apresentaram na noite de terça-feira um documento que pode comprovar que as acusadas prestaram declarações em condições irregulares e sob pressão psicológica. O documento é um termo de declaração com o depoimento concedido por Celina Abagge ao promotor de justiça Antonio Cesar Cioffi de Moura no presídio feminino, no dia 19 de agosto de 1992.
A defesa alega que o depoimento foi tomado na clandestinidade, porque o advogado de Celina e o escrivão não estavam presentes. A única assinatura que consta no final do depoimento seria do promotor Antonio Cioffi.
Durante os debates do julgamento, pretendemos demonstrar, a partir desse documento, com que atitudes os representantes do Ministério Público e policiais obtiveram declarações das rés, disse o advogado Osmann de Oliveira. Segundo ele, o documento não foi apresentado antes porque a defesa só teria tomado conhecimento do seu conteúdo nessa terça-feira.
No depoimento prestado ao promotor, Celina Abagge negou conhecer o menino Leandro Bossi (que desapareceu dois meses antes de Evandro, também em Guaratuba), e que no dia do desaparecimento estava viajando com a família.
O promotor Celso Ribas pediu a apreensão do documento e ele deve ser apresentado no decorrer do julgamento. Antes da apresentação no tribunal, o documento original foi xerocado e distribuído à imprensa. O documento foi apresentado às 20h40 da terça-feira, após o interrogatório de Beatriz Abagge, que durou cerca de quatro horas e meia.
Durante o interrogatório, ela contou que frequentava o terreiro de umbanda de Oswaldo Marcineiro e que chegou a presenciar o sacrifício de uma galinha. Ela negou, no entanto, que tivesse encomendado o trabalho ou que tenha presenciado sessões com sacrifício humano. Beatriz teve várias crises de choro quando falou que teria sido torturada e estuprada por policiais na tentativa de fazê-la confessar o crime.
Beatriz afirmou que os policiais invadiram sua casa e levaram ela e sua mãe para uma chacára, onde começaram a fazer ameaças. Eles disseram: sua vagabunda, você vai dizer por bem ou por mal. Se não falar, 16 policiais vão te comer, declarou. Ela afirmou ter levado um soco e desmaiado várias vezes enquanto os policiais a estupraram.
Segundo Beatriz, um dos policiais era identificado como Capitão Neves. Ela afirmou que foi vendada e que só conseguiu ver o rosto de um deles quando os policiais tiraram sua roupa. Ele era baixo, de nariz afilado e sombrancelhas escuras, disse ela.


