Beatificação de madre Leônia pode ser em Londrina
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sábado, 16 de setembro de 2006
Francismar Lemes<br>Reportagem Local 
Ao romper com os compromissos da vida, entregando-se ao sentimento de que estava a caminho de um porto de paz segura e eterna, como afirmou em seus escritos, madre Leônia Milito, fundadora da Congregação das Missionárias de Santo Antônio Maria Claret, chegou à fronteira onde se reúnem os candidatos a santos, esperando pela beatificação e canonização.
Uma celebração e reconhecimento das virtudes e heroísmo de pessoas comuns, que conquistaram a oportunidade de pleitear os altares e que os londrinenses poderão testemunhar, já que existe a possibilidade da cerimônia ser realizada em Londrina, cidade onde nasceu a congregação que está em 16 países, começando novas missões na Índia, Togo, Indonésia e Timor-Leste.
Considerada pela Igreja uma ''serva de Deus'', madre Leônia espera pela beatificação, um dos passos para chegar ao altar dos santos. Apesar dessa causa demorar, na maioria das vezes, algumas décadas, a descentralização do processo pelo papa Bento XVI abre as portas para que a cerimônia seja realizada em Londrina ao invés de Roma, como prega a tradição católica.
''Com a morte do papa João Paulo II, o processo de beatificação de madre Leônia continua da mesma forma. Bento XVI tem todo interesse pela causa, o que fez foi a descentralização para que a celebração aconteça na diocese de origem dos candidatos'', afirma a postuladora da causa de beatificação e canonização, irmã Terezinha Almeida, acrescentando que a disposição do novo arcebispo de Londrina, dom Orlando Brandes, com relação à elevação ao altar da religiosa é semelhante a do bispo de Roma.
Para a religiosa, a beatificação de madre Leônia não pode ser enxergada a distância pelos londrinenses, que precisam se envolver mais com o processo, já que os olhos do mundo se voltarão para a cidade. ''A causa pode levar alguns anos, mas qual a preocupação que os londrinenses estão tendo? Que bom seria se Londrina vestisse essa camisa'', destaca irmã Terezinha.
Madre Leônia conta com alguns fatores favoráveis à sua beatificação e canonização, como o fato de ter conhecido o cardeal Giuseppe Martins Saraiva, que está à frente dos estudos jurídicos dos atos processuais na Congregação dos Santos. Terezinha, que chegou de Roma em julho, lembra que o cardeal, em 1970, ofereceu uma carona para a madre, livrando-a de um acidente automobilístico. Em 1980, a religiosa morreria de causa semelhante na BR-369, em Cambé.
Com oito anos de abertura do processo, que em outubro de 2003 encerrou a fase diocesana, num primeiro momento o tribunal eclesiástico ouviu 68 testemunhas em Londrina e Roma. Somente o primeiro livro de uma biografia documentada, o ''Summarium das Deposições'', reúne 910 páginas. ''A biografia documentada tem 14 capítulos, sendo que o último tratará da fama de santidade da madre Leônia e a devoção do povo à serva de Deus'', ressalta Terezinha.
Testemunhos de parentes, amigos, religiosas e pessoas que receberam graças pela intercessão de Leônia são depositados aos pés da fé católica para que a madre consiga subir ao altar.
Para que a fundadora da Congregação Claretiana prove as virtudes e o heroísmo, é necessária a comprovação de milagres. ''Trata-se de uma questão de tempo. Creio que não estamos trabalhando com uma dificuldade meramente, já que a madre tinha as virtudes e a vida centradas em Deus. A questão são os milagres e, por isso, pedimos ao povo que receber graças escreva para a gente'', afirma a postuladora.
Entre esses casos que precisam de comprovação está o de um advogado que teria levado um tiro no coração e que pela intercessão da madre não morreu. Os relatos de milagres também incluem o de uma criança de Matão (SP), que estava com meningite e em coma no hospital. A criança precisava ser submetida a uma cirurgia, mas a família pediu aos médicos que esperassem um pouco, recorrendo à intercessão da religiosa. Meia hora depois, ela teria recobrado a saúde.
''Também temos relatos de muitas graças recebidas, como a cura de câncer e pessoas que pedem a intercessão para conseguir emprego'', acrescenta Terezinha, lembrando que muitos devotos visitam diariamente o Santuário Eucarístico, na Avenida Madre Leônia, onde está sepultado o corpo da religiosa, em busca de graças.
Leônia nasceu em Sapri, província de Salerno, Itália. Em 1935, a madre entrou para a Congregação das Pobres Filhas de Santo Antônio e, em 1954, desembarcou no Brasil. Juntamente com dom Geraldo Fernandes, primeiro bispo londrinense e co-fundador das Missionárias de Santo Antônio Maria Claret, madre Leônia escreveu a sua história de santidade em que a própria vocação era vista como uma resposta constante a um chamado.
Serviço - Interessados em comunicar graças recebidas pela intercessão de madre Leônia Milito podem escrever para o Secretariado da Postulação de Madre Leônia, Caixa Postal, 287, CEP 86050-270, Londrina.


