Bê-á-bá dentro de casa
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terça-feira, 17 de novembro de 2009
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Lucas tem 11 anos, adora livros de aventura, pratica natação e frequenta academia com personal trainer. Sua irmã, Julia, tem dez, e além de dançar balé e nadar, gosta de histórias de fadas e princesas. Em comum com crianças da mesma idade têm a vontade de brincar a toda hora. Mas é só. Sem frequentar a escola, eles são ensinados em casa pelos pais, o doutor em educação Luiz Carlos Faria da Silva e a pedagoga Dayane Dalquana da Silva.
Silva, professor da Universidade Estadual de Maringá (UEM), decidiu alfabetizar os filhos desde o nascimento. Eles não foram à escola até os sete anos e quando passaram a frequentar um colégio particular, sentiram-se peixes fora d'água.
Silva e a esposa decidiram retirá-los da escola pouco mais de um ano depois, mas foram impedidos pela Justiça. ''Procurei o Ministério Público e fiz um acordo com a promotora de que ensinaria as crianças em casa e elas fariam prova em uma escola pública. Elas fizeram o teste e se deram bem, e desde então não ouvi mais nada da Justiça'', relata o educador. ''Hoje, as crianças só fazem kumon e inglês fora de casa.''
Para Silva, cabe à família a decisão sobre a educação dos filhos. Ele alega que o método construtivista, adotado pela maioria das instituições de ensino, não provê educação adequada, nem no âmbito público nem na privado, já que diversos índices de avaliação do Ministério da Educação (MEC) apresentam resultados negativos do ponto de vista dele. ''Vejo um fracasso no sistema, que garante níveis mínimos de proficiência em leitura e matemática. Quando um pai vê isso, deve tomar uma atitude.''
Outro fator destacado pelo educador é a formação moral. ''Boa parte do mapa moral proposto pela escola entra em conflito com o sistema moral que adquiri e quero para as minhas crianças.'' Ele cita o igualitarismo, a defesa da diversidade e as aulas de educação sexual como uma violência contra a soberania da família.
Em casa, a rotina é ditada pelos pais: as crianças têm hora para estudar, brincar, só podem ver tv por meia hora diária, não usam o computador nem jogam videogame. Também não possuem televisão no quarto.
Para Silva, até os dez anos o centro da aprendizagem da criança deve ser a leitura, a matemática e uma língua estrangeira. ''Eles lêem até duas horas diárias desde os dois anos'', conta o pai, que é quem determina o conteúdo.
Segundo o educador, eles são uma família diferente porque ''enquanto todo mundo quer se livrar dos filhos, nós queremos ficar com as crianças''. Silva trabalha em casa e a esposa deixou a profissão se dedicar exclusivamente à família. Luiz Carlos Silva diz que pretende continuar educando os filhos em casa até a vida adulta: ''É para isso que existem cursos a distância''.


