BC terá que informar sobre remessas ao exterior
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quarta-feira, 28 de abril de 1999
Paulo Pegoraro 
A Justiça Federal determinou ao Banco Central que envie a Procuradoria da República, em Cascavel, a relação de todas as remessas de dinheiro feitas para o exterior, de pessoas físicas ou jurídicas, em todo o território nacional. A informação é do procurador Celso Antônio Três, que investiga e já denunciou envolvidos na chamada lavagem de dinheiro, caracterizada pela transferência, pelos chamados doleiros, de altos valores, entre contas abertas em nome de terceiros, para não evidenciar a origem do dinheiro.
Os laranjas são geralmente pessoas humildes, que recebem pequenos valores dos doleiros para emprestar o nome para a abertura de contas. Inúmeras operações passaram por casas de câmbio e instituições bancárias, em Cascavel e Foz do Iguaçu, e destas para bancos no Paraguai. Apenas em Cascavel, em um ano, a Procuradoria da República identificou 33 contas, pelas quais passaram pelo menos R$ 450 milhões. A promotoria vinha solicitando há muito tempo, informações sobre as remessas para o exterior, e os nomes de seus autores. Como não obteve resposta, os diretores do BC foram denunciados por prevaricação, em uma ação que ainda está tramitando na Justiça.
Legalidade - O envio de valores para o exterior é legal, desde que a origem do dinheiro não seja ilícita e a operação seja submetida à tributação. Segundo a Procuradoria da República, as informações contidas na relação solicitada serão encaminhadas para as demais procuradorias existentes em todo o País. O envio dos dados terá como critério o domicílio fiscal de cada uma das pessoas que fizeram remessas de dinheiro para outros países. Os dados facilitarão as investigações que já estão em andamento e novas que possam ser iniciadas.
Através da procuradoria de Cascavel, além das denúncias formalizadas, já ocorreu, por ordem judicial, o sequestro de bens de vários pessoas que trabalham como doleiros. Entre eles estão os empresários Aldesir Nardino, de Belém do Pará, no Pará, Yan Fuan Kwi Fua, de São Paulo, e Nilso Paulo Bento, de Dionísio Cerqueira, de Santa Catarina. Os três são donos de casas de câmbio instaladas em seus estados. Apenas Nardino, que também trabalha como exportador de pedras preciosas, teria lavado mais de R$ 6 milhões, através de uma casa de câmbio de Cascavel. Os valores das remessas feitas po Fua e Bento ainda não foram calculados.


