Bazares beneficentes abastecem camelôs
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sexta-feira, 13 de dezembro de 2002
Betânia Rodrigues<br> Reportagem Local 
Os bazares beneficentes de mercadorias apreendidas pela Receita Federal se tornaram uma fonte requisitadíssima pelos camelôs de Londrina. Eles pagam o mesmo valor praticado nas fronteiras sem o risco de perderem tudo em blitze ou assaltos. ''Essa não é a finalidade das doações. Do ponto de vista moral, é uma situação questionável'', afirmou o delegado da Receita Federal, Sérgio Gomes Nunes.
Este ano, a Receita apreendeu R$ 4.261.742,69 em produtos descaminhados (sem nota fiscal) e doou a entidades assistenciais R$ 2.491.334,52. Entre os beneficiados estão a Santa Casa de Misericórdia e a Organização Não-Governamental Viver, que atende crianças com câncer. Anteontem, elas iniciaram a comercialização de 50 lotes, avaliados em R$ 200 mil, no Shopping Quintino. Ambas confirmaram que os camelôs são a maioria dos clientes. Apesar das instituições estipularem um limite de compra, os ambulantes conseguem driblar dividindo a lista em várias vezes. ''O preço é compensador'', admite o ambulante Osni Alexandre Gaião Carneiro.
Segundo a assessoria de imprensa da Santa Casa, as mercadorias custam 40% a menos que no camelódromo. O CD virgem, por exemplo, sai a R$ 0,60 cada um e o limite é mil unidades por pessoa, a fita cassete é vendida a R$ 1,00 e os perfumes importados chegam a R$ 30,00. Por causa do preço baixo, muitos produtos já estão acabando. ''A maior procura é por brinquedos, CDs e rádios toca-cds. Hoje (ontem), já atendemos cerca de 700 pessoas'', disse o voluntário Luiz Carlos Calixtro, por volta das 17 horas.
A professora aposentada Yoshiko Watanabe esteve no bazar ontem em busca de brinquedos para presentear os netos. Ela disse que foi atraída pela curiosidade e que os preços não estão muito diferentes do camelódromo. ''Mesmo assim vou levar''. O motorista Salvino Tavalos levou a família com o objetivo de comprar material escolar. ''Nunca estive num bazar deste tipo. Vim para conferir a propaganda''.
Conforme o delegado da Receita Federal, o objetivo da doação é ajudar projetos sociais e beneficiar a comunidade com vendas exclusivamente no varejo. Os promotores dos bazares estão a par dessa exigência e assinam um documento em que se comprometem respeitar a lei. ''O Ministério Público já conhece o fato e está investigando. Se, porventura, ficar comprovado o comércio no atacado podemos eliminar as entidades responsáveis da nossa lista e até desistir de manter as doações. Para que isso não ocorra, sugiro um controle mais sério dos organizadores''.
Por enquanto, a Santa Casa diz não saber em que vai aplicar o dinheiro arrecadado. A ONG Viver pretende investir na aquisição de uma sede. O bazar segue até o dia 24, das 10 às 22 horas (segunda a sábado) e das 14 às 20 horas (domingos).


