Clorivaldo Osmar Guilherme, de 59 anos, foi um dos beneficiados pelo bazar solidário promovido por um grupo de amigos que trouxe a Londrina o projeto The Street Store. Os participantes da ação social arrecadam doações de roupas e calçados, separam cada um dos itens e organizam as chamadas lojas de rua, que oferecem as peças sem custos à população. A segunda edição do evento foi realizada, simultaneamente, na calçada da Avenida São Paulo, próximo ao Terminal Urbano Central, e no espaço em frente ao Centro Cultural Lupércio Luppi, na Avenida Saul Elkind, na zona norte de Londrina.
Clorivaldo, que mora na região central, chegou logo cedo para escolher as novas roupas. "Queria uma calça mais escura porque a gente acaba se sujando muito", justificou, enquanto procurava pela peça. O funcionário público aposentado vive há seis meses no Calçadão e dorme dentro de uma das cabines de telefone público. "Eu forro com papelão e fica quentinho. Quando chove ou faz frio fica bom", revelou. Aposentado por invalidez, Clorivaldo contou que tem depressão. Desavenças familiares fizeram com que ele perdesse o antigo lar. "É difícil...", resumiu, com os olhos marejados. O morador de rua encontrou uma calça azul marinho e três camisetas novas. Ele agradeceu a equipe do bazar e seguiu pela região central.
Histórias como a do aposentado se repetem durante a realização das doações. O estudante Weber Califante, de 25 anos, faz parte do grupo de voluntários do projeto The Street Store e ajudou Clorivaldo a encontrar o que precisava. "Ele contou que estava há cinco dias com a mesma camiseta e que, por isso, iria ficar longe de mim para que eu não sentisse o cheiro. É uma satisfação poder ajudar. Acaba sendo uma forma de incentivo para que elas não desistam de tudo", explicou. Cortes de cabelo gratuitos também foram oferecidos na região central. No bazar da zona norte, o autônomo Cláudio Vieira de Souza, de 52 anos, não escondeu a alegria de encontrar o primeiro terno. "Acho bonita roupa assim! Agora vou ficar mais social", disse.
O projeto é inspirado em uma iniciativa realizada no ano passado na África do Sul. Uma das organizadoras do bazar, a estudante Mirella Arruda, contou que a ideia se espalhou para várias cidades do mundo. "Começamos a arrecadar as doações em junho e as pessoas têm colaborado cada vez mais. Mais de 800 peças de roupas foram levadas hoje para o pessoal do centro. É muito bom fazer o bem ao próximo. A gente percebeu essa carência e, além da solidariedade, a gente trabalha também para diminuir o desapego e o consumismo", destacou. Aproximadamente, 20 pessoas participam diretamente do projeto. O total arrecadado não foi contabilizado, já que novas doações eram feitas a todo instante.
Não há limite para a quantidade de peças que podem ser levadas pelos interessados. A loja de rua é voltada para moradores de rua e pessoas em situação de vulnerabilidade social. No entanto, curiosos também aproveitam para escolher novos itens e deixar doações. A dona de casa Elisabete Nunes passou pelo bazar e levou um par de botas, uma sandália, duas camisetas e um cinto. "Achei a ideia fantástica. Peguei várias roupas e mais tarde vou passar aqui para doar também. Tenho umas cinco calças e blusas que não me servem mais. É bom que a gente faz uma troca", aprovou.
O grupo pretende realizar novas edições do bazar solidário até o final do ano. Quem quiser colaborar com a doação de roupas, calçados e acessórios pode ligar para (43) 9921-2549.

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