‘Com as batidas de seu coração você pode fazer música para muitas crianças carentes.’’ Quem seguir este ensinamento, estará ajudando crianças e adolescentes do Jardim do Sol, Zona Oeste de Londrina, a trocar as ruas pela música. Hoje, amanhã e domingo, a Escola Livre de Música, que atende mais de 90 estudantes do bairro, promove o bazar beneficente Tico-Tico no Fubá na sede da escola.
  Conforme a diretora, Sônia Sueli da Costa Funfas, o bazar reunirá itens novos, seminovos e usados, frutos de doações feitas pela própria comunidade entre roupas, sapatos, objetos de decoração e utensílios domésticos. ‘‘Até uma cama nós já ganhamos’’, revelou. O objetivo é reunir recursos para manter a entidade em funcionamento.
  A Escola Livre de Música do Jardim do Sol nasceu há cinco anos, de um projeto do antigo secretário municipal da Cultura, Bernardo Pelegrini, como contou a presidente da entidade, Iléia Ferraz. ‘‘Na época ele me convidou para criarmos a escola juntos e seria um projeto da prefeitura, mas logo em seguida deixou o cargo. Como a idéia já estava formada, resolvi colocá-la em prática sem ajuda pública’’, recordou Iléia.
  Segundo ela, as aulas propriamente ditas começaram somente no final do primeiro semestre do ano passado. ‘‘A escola funciona em comodato com a creche do bairro e tivemos que reformar o espaço antes de iniciar as práticas.’’
  Ainda conforme a presidente, a escola conta com o trabalho voluntário de sete professores e precisa urgentemente de novos docentes, pois pelo menos 20 alunos aguardam uma vaga nas aulas de violão, teclado, flauta e violino oferecidas na instituição. Todos os professores e membros da diretoria são músicos.
  Iléia lembrou ainda que a escola conta com um grupo vocal, formado há apenas um mês. ‘‘Eles farão sua primeira apresentação no Festival de Música do Sesi, que acontece no Teatro Marista’’, informou.
  Ainda sem apoio governamental, a Escola Livre de Música sobrevive da ajuda de empresas e também dos familiares dos diretores, conforme assinalou Iléia. ‘‘Já tivemos um projeto aprovado, mas o recurso ainda não veio.’’
  Enquanto isso, a escola promove bazares para juntar dinheiro e pagar as contas. Mas não tem sido fácil. ‘‘Eu como presidente já pensei em fechar, mas a diretora não deixa. Disse que prefere trabalhar de graça a ver a escola fechada’’, confessou Iléia.
  No início, a escola foi criada para atender crianças e adolescentes carentes do Jardim do Sol. A idéia deu tão certo, que até os mais velhos procuram as aulas e hoje já existem grupos de idosos aprendendo a tocar instrumentos e a cantar. As aulas são gratuitas e as crianças precisam estar matriculadas pelo menos no ensino fundamental para freqüentar a escola.
  ‘‘Tem aula de segunda a sexta, de manhã ou à tarde’’, informou a presidente, ressaltando que o próximo projeto da diretoria é montar aulas de artes cênicas e artes plásticas. ‘‘Alguns professores já nos procuraram pedindo espaço’’, disse Iléia.
  Segundo ela, a escola precisa de músicos interessados em trabalhar como professores voluntários. Os interessados devem contatar a diretora Sônia Funfas pelos telefones 3347-8592 ou 8411-0916.

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