Bayer tem 90 dias para destruir galpão
Lucilia Okamura
A empresa Bayer terá 120 dias para demolir e incinerar um dos dois barracões que serviam de depósito de agrotóxicos em Tamarana (62 km ao sul de Londrina). A decisão foi tomada ontem, durante audiência na Promotoria de Defesa do Meio Ambiente, com representantes da empresa e do governo do Estado. Após a primeira demolição, será feita outra reunião para definir o que fazer com um outro galpão, que também está contaminado.
A demolição dos barracões faz parte de um trabalho de descontaminação do local, que teve início em outubro de 98. Foram retiradas 844 toneladas de agrotóxicos e levadas para a sede da Bayer, em Belfort Roxo, na Região Metropolitana do Rio, onde foram incineradas. Os defensivos estavam estocados desde 1987, no local onde seria instalada a Colônia Penal Agrícola.
Análises realizadas pela Bayer e pelo Instituto Ambiental do paraná (IAP) constataram que os barracões estavam contaminados. Ontem, definiu-se que as paredes, pisos e cobertura serão demolidos para ser incinerados. A estrutura (vigas e colunas) será mantida porque não deve estar contaminada e pode ser utilizada mais tarde, afirmou o gerente corporativo de Meio Ambiente e Saúde Ocupacional da Bayer, Miguel Spohr.
Para a primeira demolição, serão utilizados recursos que sobraram do contrato mantido entre o governo do Estado e Sindicato Nacional da Indústria de Defensivos Agrícolas (Sindag) para fazer a retirada dos agrotóxicos. O contrato previa 1.200 toneladas de produtos. Spohr disse que ainda há R$ 847 mil em caixa. Depois da demolição e incineração do primeiro galpão, será feita outra reunião para verificar se ainda restará dinheiro para fazer o mesmo serviço em outro barracão. Se faltar recursos, vai ter que se fazer um aditivo contratual, explicou a promotora Maria Lúcia Reichenbach.
Ontem, a promotora pretendia enviar notificação à Secretaria Estadual de Justiça e Cidadania, proprietária das instalações, para que compareça ao Fórum. O objetivo é que algum representante da secretaria se manifeste por escrito ser favorável à derrubada dos barracões. Só após esta medida é que o trabalho poderá ser começado. A promotora espera o comparecimento em no máximo 10 dias.
O diretor da Superintendência de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental, Enzo Bonetto, informou que após a derrubada dos dois barracões terá de ser feita outra análise para certificar se a descontaminação foi eficaz. Só então, serão determinadas novas funções para o local.





