Batida de ônibus e caminhão mata três
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quinta-feira, 25 de setembro de 1997
Osmani Costa e Lúcio Horta 
Londrina
César AugustoEmergênciaVítima é socorrida pelo Siate: segundo passageiros, motorista do ônibus que derrapou não estava correndo na hora do acidenteO asfalto da PR-445, rodovia Celso Garcia Cid, estava molhado na tarde de ontem e a chuva continuava a cair. O ônibus da Francovig - placas ADP-1598 - que fazia a linha Londrina-Tamarana (65 km ao sul) derrapou numa curva e colidiu frontalmente com o caminhão Volkswagen placas ADK-1706, também de Londrina. A batida matou instantaneamente três pessoas: a dona-de-casa Maria Bonim, 71 anos, Serafim Figueira Baião e José Braz dos Santos. O Instituto Médico Legal (IML) de Londrina não tinha a idade dos dois homens até por volta das 20 horas de ontem.
As três vítimas morreram prensadas pela ferragem da lateral esquerda do ônibus - dirigido por Pedro José da Silva -, que ficou bastante danificada pela batida com o caminhão dirigido por Iracy Silva. Segundo informações de médicos do Siate e de policiais rodoviários que fizeram o atendimento, os mortos sofreram traumatismo craniano e outros ferimentos graves.
César AugustoLocal do desastreO trecho da rodovia Celso Garcia Cid onde aconteceu o acidente: três pessoas morreram prensadas pelas ferragens do ônibus
Outras 12 pessoas, incluindo os dois motoristas, ficaram feridas e foram transportadas em ambulâncias do Siate e da Autarquia Municipal de Saúde para o Hospital Universitário (HU), Santa Casa - cujo Pronto-Socorro estava de plantão - e Hospital Evangélico. Havia feridos graves e leves. Nenhuma das vítimas corria mais risco de morte ontem à noite. Os feridos são 11 adultos e uma menina índia - Claudinéia - de 5 anos de idade, da reserva do Apucaraninha, que viajava com os pais.
O acidente - que aconteceu perto da estação da Eletrosul - interrompeu o trânsito nos dois sentidos da rodovia Celso Garcia Cid por cerca de uma hora, causando enormes filas de automóveis e caminhões. A pista ficou cheia de cacos de vidros e sacos de cal caídos do caminhão. De acordo com testemunhas, as primeiras ambulâncias do Siate chegaram rapidamente, mas alguns feridos já haviam sido socorrido por motoristas particulares.
Ainda segundo testemunhas, a batida ocorreu porque o motorista Pedro da Silva perdeu o controle do ônibus, talvez porque a pista estivesse molhada. A curva, não muito fechada, fica no início de uma longa descida. De acordo com passageiros da Francovig que não sofreram ferimentos, o ônibus não estava correndo muito no momento do acidente.
Não deu tempo para ver nada. Só percebi o ônibus balançando e ouvi o barulho da batida. Depois, muita gente começou a gritar e a chorar. Não sofri nada porque, graças a Deus, estava sentada no fundo do ônibus, contou a estudante Luciana Aparecida de Freitas, de 19 anos, que voltava de Londrina para o distrito de Lerroville, onde reside.
O estudante Djalma Ceccatto, 17 anos, que mora em Tamarana, também afirma que o ônibus não estava em alta velocidade. Acho que ele derrapou por causa da chuva, de muita água na pista. Não deu para ver a batida, porque estava sentado numa das últimas poltronas do ônibus. Acho que esta foi a minha sorte, comenta Ceccato. Ouvi o barulho da batida e vi a fumaça da cal subindo e entrando no ônibus. Foi aí que pulei para o meio da pista por uma janela. Graças a Deus não sofri nada.
Os corpos das três pessoas mortas no acidente da PR-445 só chegaram ao IML após às 19 horas. Eles ficaram presos nas ferragens do veículo, o que acabou dificultando a remoção. Até este horário, apenas o corpo de Maria Bonim havia sido identificado por um filho, que estava com a mãe no ônibus na hora da colisão. Às 20 horas o IML aguardava os familiares para reconhecimento dos corpos.


