Bateria usada ameaça meio ambiente
Silvana Leão
Consumidores e empresas que comercializam telefones celulares em Londrina não sabem o que fazer com as baterias usadas. Lei municipal aprovada em 23 de novembro de 1998, diz que todas estas empresas deverão dispor de depósito para coleta, e que todo o material recolhido será encaminhado para a Sercomtel, responsável, junto com o Consórcio Intermunicipal para Proteção Ambiental da Bacia do Rio Tibagi (Copati), pela devida destinação às baterias.
Porém, como o Brasil ainda não possui legislação que normatiza o assunto, a própria Sercomtel tem armazenado o material em um depósito e, de tempos em tempos, encaminha tudo o que foi recolhido de volta aos fabricantes. A Folha apurou que pelo menos um destes fabricantes encontrou uma solução perigosa para o meio ambiente no futuro. Segundo Marcelo Kalil, gerente regional de vendas da Sansung em São Paulo, a empresa reúne determinada quantidade de baterias e, atendendo determinação da prefeitura da capital paulista, as deposita em contêineres que são depositados em aterro sanitário apropriado.
A atenção é a mesma dada a um material radioativo, explica Kalil. Mas mesmo demonstrando ser cuidadosa, a empresa pode estar contribuindo para sérios danos ecológicos. As baterias possuem metais pesados como o chumbo, cádmio e mercúrio, que com o passar dos anos podem contaminar o lençol freático e até mesmo a água que fica na camada superficial. O mercúrio tem inclusive o poder de se volatizar, espalhando-se pela atmosfera e passando a contaminar pelas vias respiratória e cutânea.
Com medo de estar contribuindo para uma solução pouco eficaz, a primeira empresa a demonstrar a preocupação com o destino das baterias e a instalar um coletor para as mesmas em Londrina tem preferido estocá-las a remetê-las de volta aos fabricantes. Eles não teriam a solução adequada, afirma Vicente Viggiani, diretor da Cellular Solution. Viggiani instalou no início de setembro do ano passado um coletor em frente à loja, e diz que muitos usuários têm demonstrado consciência ecológica, descartando ali as baterias.
A Global Telecom, que começou a operar em Londrina em dezembro do ano passado, lançou recentemente uma campanha para recolher as baterias velhas, independente da marca e do usuário ser ou não cliente da empresa. A iniciativa faz parte de um convênio de gerenciamento ambiental avançado firmado junto com a Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Francisco José Pereira Carvalho, professor de gerenciamento ambiental avançado no curso de pós-graduação em ciência do solo da UFPR e responsável pelo convênio, explicou que a idéia é estimular os usuários a entregarem as baterias aos fabricantes, que devem estar preparados para dar a destinação correta a elas. A reciclagem pode gerar vários problemas. Existem empresas, por exemplo, que fazem a reciclagem aproveitando a parte plástica e o circuito eletrônico. A parte que contém os metais pesados, que são os resíduos perigosos, são depositadas em aterros sanitários, representando riscos às gerações futuras.
A Motorolla, uma das fabricantes de telefone celular que operam no País, tem projeto de descarte adequado de baterias e, para isso, possui urnas coletoras nos postos de assistência autorizada da marca. Das urnas, as baterias são encaminhadas para o complexo industrial da empresa, instalado em Jaguariúna (interior de São Paulo), onde ficam armazenadas. De acordo com o diretor de serviços da empresa para a América Latina, Hilton Mendes, existem cerca de três mil baterias acondicionadas atualmente. O volume remetido para nós tem aumentado mês a mês, disse.
De acordo com Mendes, a empresa está aguardando aprovação do projeto de lei que vem sendo elaborado pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), para decidir a melhor destinação para as baterias. Paralelamente, estamos procurando uma empresa que possa fazer a reciclagem adequada. Ele explicou que três países são reconhecidos por fazerem este tipo de trabalho de maneira segura: Estados Unidos, Japão e França.
COMPOSIÇÃO E EFEITOS
Metais pesados presentes nas baterias de telefone celular: chumbo, cádmio e mercúrio
Como agem no organismo humano: são potencialmente cancerígenos e de difícil eliminação.
Onde agem: sistemas ósseo, neurológico e renal.
Fonte: ConamaLei municipal aprovada diz que empresas devem dispor de depósito para coleta, mas ainda não há legislação para destinação final
Dorico da SilvaPerigoBaterias possuem metais pesados, que com o tempo, podem contaminar o lençol freático e até mesmo a água que fica na camada superficial





