Batalhão de Apucarana envia soldados para o Haiti
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 13 de julho de 2010
Mariana Guerin<br>Reportagem Local 
Apucarana - Na época em que o filho Fabio Rogério Ferri, 35 anos, decidiu entrar para o Exército, Matilde Homiak Ferri entrou em choque. ''Fui acostumando e passei a respeitar a vontade dele'', declarou a mãe que, na manhã de ontem, acompanhou mais uma importante etapa da carreira do caçula: o recebimento da boina azul das Organizações das Nações Unidas (ONU), símbolo dos militares que partem em missão de paz. ''O coração está apertado, mas tenho muita fé'', comentou Matilde, sobre a partida do filho, no próximo dia 20.
Mesmo acostumada com as idas e vindas do marido, Mara Ferri confessou que os seis meses em que Ferri ficará no Haiti serão difíceis. ''Mas a família precisa apoiar'', disse a esposa, reforçando que os filhos, Sara e Júnior, estão contentes de ver o pai no Exército. Eles eram só sorrisos com a conquista do segundo-sargento, há 17 anos na corporação.
''Atuaremos na capital, cuidando da segurança da população'', descreveu Ferri, voluntário que parte para sua primeira missão internacional. ''Fizemos treinamento voltado para as situações que acontecem lá, com militares que já estiveram lá e conhecem bem a realidade do país'', completou o sargento, que é de Campo Mourão (Centro-Oeste), mas serve no batalhão de Apucarana (Norte).
Com ele, outros 33 militares lotados no município e um militar de Florianópolis (SC) receberam as boinas azuis, sob os olhares atentos dos familiares. Este pelotão integrará o 13º contingente que parte para o Haiti. Ao todo serão 1,2 mil militares, a maioria do Paraná.
''Hoje o Haiti não tem grandes problemas de segurança, a criminalidade está sob controle, mas o país ainda está carente de educação, emprego, saúde. Nossa missão é garantir um ambiente pacíficio para a população voltar ao trabalho'', explicou o coronel Ronaldo Lundgren, comandante da missão que será finalizada em janeiro de 2011. O grupo vem se preparando desde o ano passado e está ansioso para chegar a Porto Príncipe.
Segundo o comandante José Roberto Soares Paes, desde a morte do tenente Marcos Macedo Sisneiros, que era de Apucarana, durante terremoto no Haiti, em janeiro, todo o batalhão apucaranense decidiu voluntariar-se para missões naquele país. ''Foi uma seleção difícil.''
A primeira missão de paz do Exército brasileiro foi em 1947, nos Balcãs. Entre 1950 e 1960, os militares participaram de ações no Oriente Médio e no Caribe, e a partir da década de 1990 estiveram em Moçambique, Angola, Timor Leste e outros países da África, Américas Central e do Sul, Europa e Ásia. Lidera as tropas internacionais que atuam no Haiti desde 2004.


