Londrina

Milton DóriaQuartelVista parcial do 5º BPM hoje: três décadas de atuação na CidadeO 5º Batalhão da Polícia Militar de Londrina comemora 30 anos em 1997. A história do 5º BPM se confunde com a história da Cidade. Conforme registros da Polícia Militar em Curitiba, por volta de 1934 chegou a Londrina o primeiro contingente da corporação, formado por um sargento, um cabo e seis soldados. Vieram de Jatahy, a mando do delegado regional de polícia, Joaquim Teixeira, que obedecia ordens do interventor do Estado, Manoel Ribas.
Não existe registro do mês da chegada deste comando policial, mas presume-se que tenha sido em dezembro, quando Londrina tornou-se município (Decreto-Lei nº 2.519 de 3/12/34) e o primeiro prefeito, Joaquim Vicente de Castro, tomou posse. A Cidade não tinha mais do que 600 habitantes e a criminalidade não era problema. Ocorriam pequenos delitos: em geral, nada mais que furtos de animais e bebedeiras que acabavam em brigas.
Os contingentes da Polícia Militar se revezaram por muito tempo em Londrina; prevalecia mais a figura do delegado de polícia, que era nomeado por políticos com interesses na região. A fixação definitiva da PM na Cidade ocorreu de forma lenta. No acervo da Companhia Melhoramentos Norte do Paraná (que colonizou a região Norte) existem documentos contando que o interventor Manoel Ribas dispersava pelo Estado tropas numerosas da PM. Ele temia que os militares fugissem de seu controle político e se rebelassem. Era a época da ditadura de Getúlio Vargas, quando a polícia servia de escudo e mantenedora do sistema. A experiência da Polícia Militar paulista, que deu respaldo à Revolução Constitucionalista de 1932 contra o regime Vargas, não poderia ser repetida, na visão do interventor Ribas.
A região Norte já se mostrava contestadora em relação ao poder estadual, principalmente quando alguns pioneiros da região viajavam a Curitiba para fazer reivindicações junto ao interventor.
Mas foi em 1964, no início de outra ditadura - a militar - que a PM se enraizou definitivamente em Londrina. Na primeira fase, o Governo Estadual divide o Paraná em regiões policiais militares (decreto 6.620, de 11/9/67). A segunda ocorre um ano depois, quando a pequena 3ª Companhia da Polícia Militar passa a chamar-se 5º Batalhão da Polícia Militar (lei 597, de 24/6/68). Sem sede própria, o batalhão começou funcionando provisoriamente no 2º BPM de Jacarezinho. A criação foi feita sem ônus para os cofres do Estado, pois para seu efetivo foram aproveitados o pessoal e o material das 3ª e 4ª Companhias do 2º BPM.
O primeiro comandante do 5º BPM foi o coronel João Maingue Filho. Primeiramente assumiu o comando de forma provisória, em 11 de setembro de 1967, e três dias depois foi efetivado no cargo. Segundo o jornalista João Milanez - hoje presidente do Conselho de Administração da Folha - o coronel ‘‘era muito sociável e participava ativamente da vida da Cidade’’. O filho dele, Daniel Cesar Maingue, seguiu a mesma carreira do pai e há um ano comandou a Polícia Militar do Paraná. João Maingue permaneceu no 5º BPM por três anos e deixou o comando por problemas de saúde.
O primeiro prédio onde funcionou o 5º BPM situava-se na rua Visconde de Mauá, 161, no jardim Shangri-Lá (hoje área central de Londrina). O efetivo era composto de 87 homens. Posteriormente foram anexados o efetivo da 1ª Cia. do 4º BPM de Maringá e mais 30 policiais vindos de Curitiba. Em 1º de dezembro do mesmo ano foram incluídos mais 58 policiais londrinenses, aprovados em teste e formados em curso específico. Pela primeira vez, o curso de soldado era realizado no próprio 5º BPM. Até hoje, o batalhão de Londrina já formou 37 turmas de soldados, três turmas de operações especiais e duas turmas de policiais femininas. O sucessor de João Maingue foi o coronel Arivonil Fernandes dos Santos (ver galeria dos comandantes).
O atual quartel do 5º BPM, nas margens da PR-445, foi inaugurado em 8 de dezembro de 1977. O terreno foi doado pela Prefeitura. A inauguração marcada para às 16 horas aconteceu às 17h20, porque o então governador, Jaime Canet, chegou atrasado. Além do governador, vieram a Londrina o secretário de Segurança Pública, general Alcindo Pereira Gonçalves, o comandante-geral da PM do Paraná, coronel Frederico Ernesto Virmond, e o chefe do Estado Maior da PM, coronel Antônio Celso Mendes.
Também estavam presentes o prefeito Antonio Belinati e o reitor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Oscar Alves, além do general Harry Shanindorf, comandante da 5ª Brigada de Infantaria Blindada de Ponta Grossa, e o arcebispo de Londrina, dom Geraldo Fernandes, que fez a benção das novas instalações e não perdeu a oportunidade de falar sobre direitos humanos, fazendo alusão à ditadura militar brasileira.
Em uma parte de seu sermão, ele disse: ‘‘Quando se fala em direitos humanos é preciso que se pense imediatamente em um modo de tutelá-los. A polícia é usada para esse fim, juntamente com os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. É preciso que os direitos humanos sejam considerados em toda a sua plenitude. Mesmo quando se abre um quartel como este, estou pensando na defesa dos direitos humanos de maneira mais rigorosa e constante.’’ Em seguida, o arcebispo pediu que todos rezassem juntos um Pai Nosso.
Naquela época, as forças policiais nos Estados eram comandadas por militares do Exército. Formou-se mais do que nunca a idéia de que as PMs eram forças auxiliares do próprio Exército, para buscar legitimidade neste comando.
A vida do 5ª BPM acompanhou a vida de Londrina. Com exceção de poucos oficiais, vindos de outras regiões do Paraná, a grande maioria dos policiais do 5º BPM nasceu em Londrina. Em 1981, quando o soldo da tropa atrasou oito meses, foi o batalhão londrinense o primeiro a reclamar e ameaçar greve. Em 1982, com base na situação de Londrina, o comando geral da corporação, em Curitiba, sentiu a necessidade de fazer uma revisão de todo o seu sistema, para adaptar-se à abertura democrática que começava no País.
O então comandante do batalhão, coronel Hildeberto Lopes, em discurso à tropa, falou que seriam necessárias mudanças no comportamento da PM. Ele também afirmou que buscaria apoio junto à comunidade da Cidade para que isso acontecesse. O discurso de Lopes repercutiu na Capital. Segundo diversos oficiais, que estão hoje prestando serviço no Batalhão, essas posições diferenciadas, muitas vezes contestatórias, explicariam porque nunca um comandante do 5º BPM ocupou o comando geral da PM do Paraná.
Um grande avanço no Batalhão foi a implantação, em 1982, da Central de Operações Policiais Militares (Copom), que de início funcionou para dar apoio com rádio às viaturas policiais. Hoje, o Copom está informatizado, atende toda a demanda de operações e recebe ligações da comunidade. Nesse atendimento, está incluído o telefone 161 - o Disque-Drogas, para denúncias contra traficantes.
Os módulos espalhados nos bairros buscam dar segurança aos moradores. Atualmente o 5º BPM atende também Cambé e Ibiporã e faz fiscalização do trânsito urbano. O efetivo conta com 850 policiais militares, divididos em cinco companhias e dois pelotões.
Na próxima sexta-feira, dia 1º de agosto, o 5º BPM será homenageado, sendo sede de todas as comemorações do 143º aniversário da PM do Paraná. Haverá sessão solene na Câmara de Vereadores com a entrega da Comenda Ouro Verde ao comandante feral da PM estadual, coronel Luis Fernando de Lara e o lançamento do carimbo comemorativo ao aniversário. À noite será realizado um baile no Iate Clube de Londrina.

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