Há 17 anos, o Jardim Franciscato, na Zona Sul de Londrina, era um mato só. Naquela época, um grupo de mulheres se uniu para lutar por melhorias e conseguir as benfeitorias públicas necessárias para uma sobrevivência digna. Surgia aí a Associação de Mulheres Batalhadoras, uma entidade que cresceu devagarzinho, junto com o bairro. Hoje, essas senhoras persistem na batalha e, mesmo diante de todas as adversidades, garantem que nada vai fazer com que a entidade feche as portas para a comunidade da região.
O último baque sofrido pela Associação foi um furto registrado há pouco mais de 30 dias. Os invasores quebraram portas, levaram mantimentos, computadores e equipamentos usados nas oficinas ministradas no prédio da Rua Tadao Ohira. Nada ainda foi recuperado. Para complicar, o fornecimento de água foi cortado há cerca de duas semanas por falta de pagamento. Os próprios usuários passaram a levar água de casa.
''Para mim, o maior sinal da violência é quando chego e vejo a porta trancada com correntes e cadeado por causa dos estragos'', lamenta a presidente da associação, Rosalina Batista, 59 anos. Por causa do furto, as aulas de informática e o atendimento odontológico foram suspensos. A sala onde ficavam os computadores hoje está sendo usada para as aulas de bordado.
Mas o crime só serviu para renovar a esperança de quem trabalha na associação que já atendeu mais de 20 mil pessoas. Por mês, são cerca de 400 pessoas participando de cursos de alfabetização, idiomas, bordado e pintura, palestras, oficinas diversas ou usando a biblioteca com mais de três mil títulos. Todos membros das famílias pobres aninhadas em um canto obscuro da cidade que, individualmente, não se fariam ouvir. Aliás, a união das vozes simples dos moradores da região já conseguiu muita coisa: asfalto, escola, linha de ônibus, posto de saúde.
Dona Rosalina fala com orgulho que nunca ninguém procurou a associação pedindo dinheiro ou coisa parecida. ''Conseguimos trazer outro tipo de inquietação que é fazer questionamentos, querer aprender coisas novas'', comemora. Tanto que uma pesquisa feita com moradores revelou que ter acesso à educação é a principal preocupação de seis em cada 10 entrevistados. ''Por que então entraram aqui? Porque a escola maior de tudo isso está nas assembléias federal e estaduais. Falta ética aos políticos. É preciso fazer política com mais honestidade'', critica.
Interromper as atividades, no entanto, nunca nem passou pela cabeça das mulheres batalhadoras. ''Aqui, são seis mil famílias vivendo abaixo da linha da pobreza'', argumenta Rosalina. As responsáveis pela associação já se organizam para fazer um festival de prêmios em maio para arrecadar fundos. Para tanto, carecem de doações. Já para que as aulas de informática possam ser retomadas, a associação precisa consertar as portas arrebentadas e instalar alarmes. Tenta ainda arrecadar recursos para saldar uma dívida trabalhista e conseguir restabelecer o fornecimento de água. Outra prioridade é reequipar a cozinha.

Serviço - Quem quiser ajudar pode telefonar para (43) 9146-5733 ou 3342-6773 (somente no período da manhã).

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