Bastão chinês protege corpo e mente
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sexta-feira, 04 de junho de 2010
Mariana Guerin<br>Reportagem Local 
Livrar-se do perigo não é o principal motivo que leva homens e mulheres a buscar cursos de defesa pessoal: melhorar a autoestima, o condicionamento físico, a capacidade de raciocínio e até perder peso nas simulações de combate são benefícios obtidos nas aulas que agregam táticas de prevenção com o uso de aparelhos como o bastão de defesa, mais conhecido como tonfa.
Em Londrina, o instrutor Josué Lima organiza treinamentos de defesa pessoal em duas academias da cidade, nos quais a tonfa é a grande aliada dos participantes. ''É uma arma não letal, destinada a abordagem de suspeitos em locais onde há aglomeração de pessoas. Tem origem na China e em sua primeira versão servia também para cortar arroz nas plantações chinesas'', define ele, alertando que é preciso preparo para que a tonfa não se torne uma arma letal.
No curso de tonfa, a carga horária é de oito a dez horas, mas é o treinamento semanal que faz a diferença no aproveitamento do bastão na rotina de trabalho do vigilante. ''A intenção é preservar a vida sem agredir, por isso a tonfa tem grande influência na abordagem.''
Nas aulas, a primeira lição é realizar a abordagem verbal de maneira respeitosa, sempre com a tonfa em posição de descanso, debaixo do braço ou sobre o peito. ''Empresas e seguranças devem estar legalizados junto à Polícia Federal quanto ao uso do utensílio, destinado somente ao ambiente de trabalho'', diz Lima, que oferece cursos de tonfa em Londrina há cinco anos.
Entre os temas abordados no curso de defesa pessoal, o instrutor cita prevenção, abordagem, técnicas de bloqueio e defesa, técnicas de ataque e imobilizações: ''Pode chegar leigo que sai com noções básicas''.
Marginais
Trabalhando como vigilante há seis anos e treinando defesa pessoal há dois, Adriano Batista de Souza, 27 anos, usa o bastão para inibir a ação de marginais no dia a dia de trabalho. ''Estou qualificado e, quando preciso, posso defender meu local de trabalho com a tonfa'', diz Souza, que perdeu dez quilos desde que iniciou os treinos semanais.
''Mudou muito a minha autoestima, minha qualidade de vida, meu condicionamento físico, até minha segurança no trabalho aumentou. Hoje consigo manter a calma e lidar melhor com as situação. Sei me defender e atacar na hora certa'', define o vigilante, que já fez vale tudo e capoeira, mas se ''encontrou'' nas aulas de defesa pessoal.
Formada no curso de vigilante há seis meses, Monique de Souza, 25, trabalha como segurança em eventos e depois de iniciar os treinamentos com a tonfa, sentiu-se mais segura para atuar. ''Com a arma, consegui driblar um pouco o preconceito. Por ser mulher, era mais difícil abordar alguém sem arma. Hoje me sinto melhor sabendo que posso me defender'', comenta a vigilante, que além do condicionamento físico e da habilidade, aprendeu a ter rapidez de pensamento e ponderação. ''Levo os ensinamentos não só para o trabalho mas também para a vida pessoal.''


