Basta olhar para correr perigo
Basta olhar para correr perigo
Abari RosaR.P, 14 anos, comprou um revólver calibre 38 para se proteger de uma gangue e acabou dando um tiro na própria mãoNão é preciso fazer muito para ser eleito inimigo pelas gangues e sofrer uma implacável perseguição até ser, no mínimo, espancado. Segundo os estudantes, basta um olhar torto para a namorada de um dos integrantes do grupo ou morar no mesmo bairro da gangue rival. O aluno R.P., um menino de 14 anos que parece ter 10 anos, não precisou tanto. Estudante da Escola Municipal Piratini, R. viveu em fuga durante três meses só porque estava ao lado de um menino que apanhou de uma gangue. Eles me disseram que eu ia apanhar também porque estava do lado dele, contou R.
Albari RosaEm frente ao quadro pichado com tinta a óleo por uma gangue, a diretora Maria de Lourdes Bacanof mostra o facão que usa para intimidar os desordeirosCansado de correr, na terça-feira passada, ele foi até uma área invadida por sem-teto e comprou um revólver calibre 38, por R$ 120,00. O aluno colocou o revólver na pasta e foi à escola no dia seguinte. Antes de sacar a arma, R. teve a mão esquerda perfurada por uma bala do próprio revólver. A pasta caiu e quando foi apanhá-la houve o disparo.
Apesar da dor e de perder a arma, recolhida pela polícia, R. conseguiu alguns aliados: a mãe, o pai e os irmãos, que até então não sabiam do drama do caçula da família. Preocupado com o filho, o pedreiro Luiz Carlos Pinto, 43 anos, já providenciou a transferência de R. para outro colégio. Vou tirá-lo de circulação porque é muito perigoso, afirma.
Pinto descobriu o medo agora. Mas a preocupação é um sentimento que faz parte da vida de um número incontável de pais. Homens como o pedreiro Dorival Pires de Oliveira, 38 anos. Ele afirma que fica com o coração apertado todos os dias até que os filhos, de 11 e 14 anos, voltem da escola. J.A.





