James Alberti
De Curitiba
O ex-corregedor geral da Polícia Civil, Anníbal Bassan Junior, vai pedir na Justiça explicações do secretário da Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira, sobre declarações dadas pelo secretário à Folha. Em entrevista publicada na segunda-feira, Cândido Martins disse que a Corregedoria da Polícia Civil era morosa na gestão de Bassan, de quem não queria sequer falar o nome. ‘‘O Bassan, não quero nem falar o nome desse cara’’, afirmou o secretário. Caso as explicações não sejam satisfatórias, o ex-corregedor afirmou que irá processar Cândido Martins.
Ontem Bassan entregou um pedido à Associação dos Delegados de Polícia do Paraná (Adepol) para que os advogados da entidade encaminhem a causa. No documento, o ex-corregedor disse ter sido atingido na ‘honra íntima e na imagem pública’. A afirmação faz referência à frase em que Cândido Martins diz não querer pronunciar o nome de Bassan. ‘‘A expressão, indigna para quem exerce função de confiança imediata do excelentíssimo senhor governador do Estado, ofendeu-me pessoal e profissionalmente’’, escreveu.
O susposto ataque pessoal teria gravidade maior, conforme Bassan, porque foi desferido em razão do exercício profissional do então corregedor geral. Durante a entrevista, Cândido Martins disse que a atuação de Bassan deixara a corregedoria ‘‘muito morosa’’. A suposta lentidão seria a causa da saída de Bassan. ‘‘Eu quero uma corregedoria ágil. A saída dele não tem nada haver com problema de grampo (nos telefones dos sem-terra) ou relatório, mas de competência administrativa’’, disse o secretário.
O corregedor, no entanto, não foi demitido. Bassan disse ter se afastado do cargo por vontade própria. ‘‘É um absurdo o que ele falou. Me ofendeu demais. E ele sabe que foi extremamente injusto’’, afirmou o ex-corregedor. Segundo Bassan, a causa do seu afastamento foram as pressões da Polícia Militar para que fosse revogado o provimento que cobrava dos PMs uma melhor conduta nas abordagens e prisões.
Elogiando seu próprio trabalho, Bassan contestou a afirmação de que a corregedoria seria morosa. ‘‘A corregedoria nunca trabalhou tanto em toda a história como nos nove meses da minha gestão’’, afirmou. Para comprovar isso, ele cita números. Conforme Bassan, no tempo em que ficou no comando do órgão teriam sido efetuados cerca de 500 relatórios de investigações, o dobro do ano passado (cerca de 200). Neste período também, teriam sido feitos mais de 20 pareceres jurídicos. ‘‘Antes’’, disse, ‘‘faziam um a cada dez anos.’’
O secretário da Segurança foi procurado pela Folha, mas não foi encontrado. O assessor de Cândido, Valdir Bicudo, não retornou ligação.

mockup