O governo do Estado e o Comitê dos Jogos da Natureza, entidade privada que coordena o evento, receberam carta branca do Ibama para realizar a competição prevista para setembro de 2001, mesmo depois de denúncias de abandono e de suspeitas de superfaturamento durante a construção das seis bases náuticas erguidas na Costa Oeste, região banhada pelo Lago de Itaipu.
Segundo o coordenador de licença ambiental do Ibama-Paraná, Sérgio Roberto Xavier, o parecer deve ser apresentado esta semana. Depois de vistoria acompanhado da procuradora-chefe do Ibama no Estado, Andrea Vulcanis Macedo Paiva, e do chefe regional do Ibama em Cascavel, Jorge Luiz Pegoraro, Xavier explicou durante uma reunião em Foz do Iguaçu que a preservação ambiental dos quatro hectares ocupados por cada uma das bases está dentro dos parâmetros exigidos pela lei. ‘‘É verdade que as condições das obras estão a desejar, mas também é importante salientar que nosso trabalho é avaliar questões ecológicas e não o estado de conservação das edificações’’, disse. A avaliação, segundo os técnicos do Ibama, é feita de três em três anos.
Há exatos seis meses, a Folha percorreu as cidades onde as bases foram instaladas (Guaíra, Marechal Cândido Rondon, Itaipulândia, Entre Rios do Oeste, Santa Helena e Foz) e confirmou o subaproveitamento das instalações. Nas obras, que custaram (em valores atuais) cerca de R$ 15 milhões, o mato e o lixo tomaram conta. As armações de madeira também se deterioraram, enquanto os acessos aos mirantes construídos em metal estão se enferrujando. Apenas em Santa Helena e Entre Rios, onde a manutenção foi assumida pelas prefeituras, os locais permanecem limpos.
O coordenador do Comitê dos Jogos da Natureza, Edgar Ubner, que falou ontem sobre a situação dos preparativos dos jogos, também lamentou a situação em que se encontram as bases e explicou que a entidade não é responsável pela conservação. ‘‘Nós cuidamos apenas da viabilização dos jogos. O responsável é o governo do Estado. No momento, estamos preocupados com a programação que temos que seguir’’, explicou Ubner, referindo-se aos contatos com empresas de marketing esportivo convidadas a participar do projeto 2001. Ele disse que das 21 agências contactadas, seis apresentaram propostas. ‘‘Dos seis projetos, dois estão sendo estudados. Esta escolha é importante porque são eles que irão buscar recursos na iniciativa privada.’’
Ubner também confirmou o contato feito com o empresário japonês Tatsuo Okada, diretor da Global Sports Aliance, empresa que deseja fechar parceria com o governo do Paraná para garantir a realização dos jogos. ‘‘Nós fizemos uma apresentação técnica do projeto a eles, mas ainda não temos nada confirmado. Eles estão mais interessados na questão ecológica do evento. Como praticamente não existem reservas florestais no Japão, querem investir aqui’’, explicou.

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