Barulho revolta vizinhança
O agito promovido pelas festas e bares durante o vestibular promove também a revolta de muitos vizinhos e a preocupação dos pais dos candidatos. ''São quatro dias de verdadeira baderna, uma loucura'', reclama uma empresária, vizinha de um bar bastante frequentado pelos vestibulandos.
Ela diz que os transtornos provocados pela casa e seus clientes a toda a vizinhança já duram anos. Durante o vestibular a situação fica ainda pior. ''Fecham a rua com o apoio da polícia e somos obrigados a suportar todo o tipo de perturbação''. No ano passado ela disse que ligou para polícia para pedir socorro e o que ouviu foi uma desculpa de que nada podia ser feito.
Já a dona de casa Sandra Maria Savioli, também vizinha de um desses bares , não reclama da barulheira da juventude. ''É a hora deles, tão necessária como engatinhar e aprender a andar'', compara. Sandra diz que, por estar em paz ''consigo e com o mundo'', vê televisão, dorme a noite inteira e não ouve barulho algum. Ela diz que só lamenta a precocidade com que a moçada adere ao alcóol e o risco que isso representa à saúde.
Para muitos pais, as festas são motivos de debates em família. A empresária Roseli Brum, mãe de Leonardo, 17 anos, candidato a uma das vagas de medicina, está avaliando com ele a participação em uma festa em uma boate . Ela diz que a participação do filho nos agitos de vestibular sempre se resumiu ao shopping. Mas este ano ela recebe dois sobrinhos, também vestibulandos, vindos de outras cidades que estão na expectativa da festa. ''Eles podem ir mas já avisei que vou junto''. Badalação demais, para ela, tira a concentração.
A fonoaudióloga Solange Fontes, mãe de Carlos, 18 anos, que concorre a uma vaga no curso de filosofia, admite que não gosta da participação do filho nessas festas. ''Eu sempre espero pela decisão das mães dos amigos que são mais duronas do que eu'', admite. Solange diz que o filho é dedicado e responsável, mesmo assim ela teme pelos atos promovidos pela empolgação, como as bebedeiras e as drogas.





