Barulho noturno incomoda moradores
A Associação quer interromper à meia noite o uso de equipamentos de som nos bares e boates do centro da cidade
Albari RosaSilêncioA poluição sonora muitas vezes supera o limite de suportável de 66 decibéis em CuritibaDaniela Neves
Especial para a Folha
Se depender de um grupo de moradores do centro de Curitiba, o hábito dos boêmios da cidade terá que mudar. A Associação de Defesa do Direito ao Silêncio (ADDS) pretende limitar o uso de som, nos bares e boates, até à meia-noite, horário que a maioria desses locais começa a receber um maior número de frequentadores. A Associação reúne mais de 200 reclamações de moradores que dizem não conseguir dormir de madrugada em função do barulho da música e dos clientes de pontos agitados no horário da noite.
Uma das reclamações, que já foi levada ao Juizado Especial Criminal de Curitiba, diz respeito à boate Parada Obrigatória, na rua Conselheiro Laurindo. O diretor da ADDS, José Fiori, é o vizinho de frente da boate e diz que sofre com o barulho excessivo dentro e fora do estabelecimento, com as conversas e barulhos de latas. ‘‘É um verdadeiro abuso aos moradores do centro conviver com estabelecimentos que são causa-efeito de arruaças e que transformam a noite em dia, em detrimento do direito de dormir e viver em paz’’, reclama Fiori.
O processo já dura dois anos e o morador pede que a licença da boate seja cassada. O dono da boate, Renato de Paula, comprometeu-se na Justiça a diminuir o barulho e aumentar a segurança para evitar brigas.
O próximo alvo do grupo são os bares do bairro Alto São Francisco, contestados por aproximadamente 50 moradores da região que estão participando da ADDS. Eles pretendem pedir indenizações por perdas e danos à saúde, no valor de 40 salários mínimos. A solução apresentada por José Fiori para resolver de vez o entrave entre os donos de bares e moradores do centro é a criação de um ‘‘Pólo do Barulho’’ na cidade. ‘‘Não tem o pólo dos rstaurantes em Santa Felicidade? Então porque não criar um local onde se concentrariam todas as boates e bares dançantes?’’.
Medição - Pelos dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) o excesso de ruído é uma das causas de doenças como a perda auditiva, dores de cabeça frequentes, distúrbios cárdio-vasculares, hormonais e digestivos, stress e impotência sexual. O volume máximo suportado pelo homem é de 85 decibéis. Os relógios acústicos instalados no centro de Curitiba vêm indicando um índice médio de 66 decibéis, produzido por carros, comércio, bares, igrejas e boates. As duas áreas mais barulhentas são a Avenida Presidente Kennedy (média de 73 dB) e a Avenida Iguaçu (72 dB).

mockup