Londrina – Ele é invisível, mas nem por isso deixa de ter efeito sobre nós. O barulho está no trânsito, com sirenes de viaturas e ambulâncias, nos carros de som com propaganda pelas ruas, no comércio, nas algazarras em prédios, escolas e boates ou mesmo nos canteiros de obras. Em Londrina, a poluição sonora é responsável por uma a cada três reclamações que chegam à Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Sema). O que muita gente não sabe é que o ruído excessivo é a causa mais comum de perda de audição. O problema atinge pelo menos 5% da população brasileira, segundo dados da Sociedade Brasileira de Otologia (SB0).
O otorrinolaringologista Paulo Roberto Lazarini, presidente da entidade, explica que o ruído considerado incômodo é o que resulta em dificuldade de comunicação com outra pessoa. É aquela típica cena de alguém que precisa se aproximar mais do outro para conseguir ouvi-lo ou se fazer entender. "É o primeiro sinal de que aquele barulho pode ser danoso. Em termos técnicos, a exposição ao som acima de 85 decibéis pode causar danos à parte interna do ouvido, às células que funcionam como sensores da nossa audição", explica.
Lazarini assinala que a perda auditiva costuma ser lenta e cumulativa. Com a incorporação das tecnologias no dia a dia, a expectativa é que as pessoas apresentem problemas para ouvir mais precocemente. "Hoje estamos vivendo em uma sociedade muito mais ruidosa do que no passado. Teremos uma população idosa com mais problemas auditivos, o que deve afetar a qualidade de vida", pontua.
Para os órgãos públicos, o barulho excessivo pode ser considerado perturbação de sossego. De acordo com o gerente de Fiscalização da Sema, Luiz Campanhã Filho, apesar de Londrina ainda não contar com um Disque Denúncia, as reclamações sobre poluição sonora não deixam de ser registradas. Para isso, a população utiliza o telefone 153, da Guarda Municipal. "Alguns passam até e-mail. Vamos até o local, notificamos as pessoas e, se não houver regularização, multamos. A maioria dos casos de autuações é de bares e lanchonetes", observa.
A área central também ganha em termos de demanda. A aplicação das multas segue especificações como o horário da ocorrência e categoria de zoneamento em que a situação foi registrada, conforme o Código de Posturas. Em todas as situações, é feita aferição dos ruídos, com decibelímetro, para verificar se o nível está dentro ou fora dos parâmetros. Hoje, a Sema só tem dois aparelhos calibrados para fazer esta aferição. Casos envolvendo residências e fontes móveis são tratados pela Polícia Militar.
O porta-voz do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM), capitão Ricardo Eguedis, acrescenta que também são realizadas operações, as chamadas ações integradas de fiscalização urbana (Aifu), em parceria com o Ministério Público, Prefeitura e Vigilância Sanitária, para tentar coibir o barulho excessivo e outras contravenções. Ele lembra que não é apenas o som alto que pode demandar uma visita da polícia. "Às vezes, o local tem 60, 70 pessoas conversando alto, de forma que isso perturba o sossego dos vizinhos. Eles podem ter crianças, enfermos ou idosos que precisam descansar", salienta. Quem incorrer neste tipo de crime está sujeito à prisão, de 15 dias a três meses, e multa.
Segundo a Sema, ficam atrás das reclamações sobre poluição sonora em Londrina os casos de maus-tratos a animais, poluição atmosférica e corte de árvores. (Leia mais sobre o assunto na página 2)

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