Barulho incomoda alunos em Londrina
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 19 de junho de 2001
Chiara PapaliDe Londrina 
Professores e alunos de escolas localizadas no centro de Londrina, ou em locais de grande movimento, sofrem com a poluição sonora causada principalmente pelo trânsito. Além do prejuízo para a saúde, ruídos de carros, ônibus, buzinas, sirenes de ambulância e até aviões, em conjunto com a algazarra das crianças, podem prejudicar o aprendizado.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que os índices sonoros adequados para a aprendizagem fiquem entre 38 decibéis (dB) e 48 dB. Em Londrina, não há controle dos índices nas salas de aula, mas não faltam reclamações. Dezenas de colégios estão localizadas em locais de grande movimento da cidade as avenidas Higienópolis, Tiradentes, Maringá e JK são ao mesmo tempo endereços de escolas e locais de grande fluxo no trânsito.
Para a professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Janete El Haouli, o problema é bastante sério, e exige preocupação. Não existe planejamento em Londrina, escolas, assim como bares, se situam onde bem entendem. Nas escolas, o barulho pode interferir no processo de concentração e causar dor de cabeça, náusea e mal-estar.
O Colégio Estadual Vicente Rijo, onde estudam 3,2 mil alunos, está localizado num dos cruzamentos (Avenida Higienópolis com JK) mais movimentados da cidade. O barulho da rua não atrapalha as aulas. As salas estão voltadas para o fundo do colégio. Mesmo assim, dá para ouvir quando passa um carro de som, e o ruído de aviões nos obriga a interromper a aula por alguns minutos, disse o diretor, Carlos Ricardo Caslavsky. Na Escola Estadual Hugo Simas, também na região central, não há como fugir do barulho, já que todas as janelas são voltadas para a rua.
Para a promotora do Meio Ambiente, Luciana Moreira Lepri, é complicado resolver o problema das escolas localizadas no centro da cidade, mesmo com fiscalização dos índices de ruído. Não basta fiscalização, mas conscientização. No caso das escolas, como colocar isolamento? A que custo?, questionou.
Janete El Haouli acredita que seria necessário um estudo aprofundado do assunto para amenizar o problema de som nessas escolas. Sempre é possível encontrar alternativas para melhorar o ambiente sonoro. O isolamento acústico é muito caro, mas existem tratamentos acústicos para diminuir a interferência do som externo, explicou


