Professores e alunos de escolas localizadas no centro de Londrina, ou em locais de grande movimento, sofrem com a poluição sonora causada principalmente pelo trânsito. Além do prejuízo para a saúde, ruídos de carros, ônibus, buzinas, sirenes de ambulância e até aviões, em conjunto com a algazarra das crianças, podem prejudicar o aprendizado.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que os índices sonoros adequados para a aprendizagem fiquem entre 38 decibéis (dB) e 48 dB. Em Londrina, não há controle dos índices nas salas de aula, mas não faltam reclamações. Dezenas de colégios estão localizadas em locais de grande movimento da cidade – as avenidas Higienópolis, Tiradentes, Maringá e JK são ao mesmo tempo endereços de escolas e locais de grande fluxo no trânsito.
Para a professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Janete El Haouli, o problema é bastante sério, e exige preocupação. ‘‘Não existe planejamento em Londrina, escolas, assim como bares, se situam onde bem entendem. Nas escolas, o barulho pode interferir no processo de concentração e causar dor de cabeça, náusea e mal-estar.
O Colégio Estadual Vicente Rijo, onde estudam 3,2 mil alunos, está localizado num dos cruzamentos (Avenida Higienópolis com JK) mais movimentados da cidade. ‘‘O barulho da rua não atrapalha as aulas. As salas estão voltadas para o fundo do colégio. Mesmo assim, dá para ouvir quando passa um carro de som, e o ruído de aviões nos obriga a interromper a aula por alguns minutos’’, disse o diretor, Carlos Ricardo Caslavsky. Na Escola Estadual Hugo Simas, também na região central, não há como fugir do barulho, já que todas as janelas são voltadas para a rua.
Para a promotora do Meio Ambiente, Luciana Moreira Lepri, é complicado resolver o problema das escolas localizadas no centro da cidade, mesmo com fiscalização dos índices de ruído. ‘‘Não basta fiscalização, mas conscientização. No caso das escolas, como colocar isolamento? A que custo?’’, questionou.
Janete El Haouli acredita que seria necessário um estudo aprofundado do assunto para amenizar o problema de som nessas escolas. ‘‘Sempre é possível encontrar alternativas para melhorar o ambiente sonoro. O isolamento acústico é muito caro, mas existem tratamentos acústicos para diminuir a interferência do som externo’’, explicou

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