Da Sucursal
O barulho provocado pelos motores de ônibus em garagens durante as madrugadas continua causando polêmica em Curitiba. Moradores do bairro Boa Vista fizeram um abaixo-assinado pedindo a diminuição da poluição sonora e ambiental e a mudança de local da garagem utilizada pela empresa Transporte Coletivo Glória.
O documento, com cerca de 80 assinaturas, foi encaminhado ao Juizado Especial Criminal e o processo está em andamento. ‘‘Há dias que eles ficam a noite inteira acelerando os motores’’, diz o coordenador do abaixo-assinado, Sérgio Maravalhas. Ele diz que a prefeitura já fez diversas vistorias no local mas, coincidentemente, o barulho nos dias de inspeção foi menor. ‘‘Sabemos que existe condição de trabalhar fazendo menos barulho. É questão de respeito’’, diz.
O gerente operacional da Transporte Coletivo Glória, Gelson Forlin, alega que o barulho é causado durante o aquecimento dos motores e não pode ser evitado. Ele desconsidera qualquer possibilidade de mudar o local da garagem. ‘‘Hoje os ônibus estão a 70 metros do terminal de ônibus do Boa Vista. Não seria interessante para a população de Curitiba se a garagem ficasse num local afastado, porque os veículos teriam que rodar mais e isso iria encarecer a passagem’’, diz o gerente.
Paralelamente ao processo do Juizado Especial Criminal, o Ministério Público entrou com um recurso no Tribunal de Justiça do Estado pedindo a mudança de endereço da garagem, mas o caso ainda não foi julgado. Há cerca de dois anos, a empresa já foi obrigada a tomar medidas de redução contra poluição ambiental.
Para o coordenador das Promotorias do Meio Ambiente do Ministério Público do Paraná, procurador Saint Claire Honorato dos Santos, o caso das garagens próximas a residências ‘‘é um dos grandes problemas ambientais da cidade’’.
Segundo ele, processos semelhantes ao da Glória estão em andamento, envolvendo as empresas Autoviação Marechal e Autoviação Cristo Rei. ‘‘Não existe o direito de poluir. A solução é a mudança das garagens para zonas de serviço e não residenciais. Isso é perfeitamente possível’’, observa o procurador.

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