Barulho de caças atormenta bairros
Barulho de caças atormenta bairros
Lúcio Horta
Dorico da Silva Paciência esgotadaA pintora Filomena Gazzanelli: Não sei como o coração aguentouOs caças F-5E da Força Aérea Brasileira (FAB) que estão em missão de treinamento na Cidade têm fascinado muitas pessoas - mas, também, estão tirando o sono e a paciência de muitos londrinenses que moram em bairros próximos ao aeroporto Santos Dumont. Algumas mães dizem que os filhos têm acordado assustados durante a manhã e muita gente afirma que não tem como manter a concentração em casa ou no trabalho por causa do barulho provocado pelos aviões. Comerciante reclamam que mal conseguem falar ao telefone. Os treinamentos militares prosseguem até amanhã.
Filomena Maria Gazzanelli, 72 anos, que mora na avenida Salgado Filho, atrás do aeroporto, levou o maior susto ontem de manhã. Ela estava praticando uma de suas atividades prediletas, a pintura, no estúdio que mantém em sua casa, quando de uma hora para outra um dos supersônicos ligou os motores para decolar. Foi um susto horrível, conta Filomena. Não sei como o coração aguentou.
Filomena afirma que telefonou para a Infraero, Polícia Militar e até para a Polícia Federal, mas ninguém pôde fazer nada. Liguei para a Infraero três vezes. Pegaram meu telefone e disseram que um oficial ia se comunicar comigo. Até agora nada. Mas o que eu quero mesmo é resolver o problema da comunidade.
Sobre o argumento de que os aviões estariam praticando exercícios militares na região, Filomena observa: Mas não estão em guerra! Então não tem nada a ver. A moradora acredita também que, se realmente existe a necessidade deste tipo de operação com os caças da FAB, então que ela seja feita longe de cidades. Assim não consigo viver. Vão ter que dar um jeito porque não tenho onde ficar até quinta-feira.
Aparecida Zuffa, que tem uma empresa também na avenida Salgado Filho, conta que a neta costuma ficar com ela à tarde para que a mãe possa trabalhar. Mas na última segunda-feira foi um sufoco: a menina, de apenas dois meses, acordava assustada toda hora que um F-5 passava por perto. Essa semana vai ser difícil de aguentar, prevê Aparecida. A menina fica assustada e não consegue dormir.
Outro que reclama muito, na Salgado Filho, é o farmacêutico João José da Silva. A gente vai atender o telefone e não consegue falar. O barulho é intolerante, tem horas que até irrita. Deve fazer mal para a gente. O farmacêutico acredita que, se fosse apenas um dia de exercício militar, o problema não seria tão grande. Mas até quinta-feira, ele diz, é demais. Vai ser praticamente impossível de aguentar. Todo mundo aqui na região reclama.
O tenente-coronel Flávio dos Santos Chaves, do Esquadrão Pampa, de Canoas (RS), admite que realmente o ruído produzido pelas turbinas dos F-5 é intenso, principalmente na decolagem, quando a aceleração é máxima. E maior se comparado à aviação comercial. Mas lembra que até o final da semana o exercício acaba e a população próxima ao aeroporto poderá respirar mais aliviada.
Além disso, explica o tenente-coronel, exercícios deste tipo devem ser feitos em aeroportos com estrutura de controle de tráfego aéreo. Londrina foi escolhida, segundo ele, não só por apresentar as características físicas ideais como também pela importância da Cidade no contexto econômico da região. Ele destaca ainda que não há risco, em tão pouco tempo, do ruído vir a prejudicar a saúde de alguém.
Sobre a necessidade de fazer exercícios militares constantes, independente do país estar ou não em guerra, Chaves explica: Na guerra a gente não treina, a gente aplica os conhecimentos adquiridos em tempo de paz. Porque o dia em que precisar, temos que estar preparados.





