Barro 'tinge' água do Igapó
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Entre as muitas preocupações geradas pelas intensas chuvas dos últimos dias, uma está centrada no cartão-postal da cidade, o Lago Igapó. Além do grande volume de água, chama a atenção a cor avermelhada do leito, indicando a presença indesejada de terra, resultado do assoreamento. Os frequentadores do local se dizem assustados com o cenário.
''Ultimamente, é só chover forte que a água fica desta cor, parecendo chocolate. Tudo bem que as últimas chuvas não foram normais, mas parece que a situação está cada vez pior'', diz o funcionário público aposentado Paulo Bodner. Ele é frequentador antigo do local. ''Antigamente, quando essa região nem era urbanizada, eu vinha muito pescar aqui, a água era cristalina e cheia de peixes. É triste ver o lago nas condições em que está hoje.'' Bodner lembra que em alguns pontos o acúmulo de sedimentos deixou o lago tão raso que os peixes já não conseguem passar. ''Dá até dó'', resume.
Já o comerciante Joe Thiesen, que pesca sobre a ponte que divide os lagos 1 e 2 há cerca de 10 anos, contou que já viu o Igapó bem cheio outras vezes, mas nunca tão sujo quanto agora. ''É o problema de todas as cidades. Enquanto a população não tiver consciência, não adianta.'' Ontem ele passou a manhã tentando pescar, mas nas quatro horas que permaneceu no local não fisgou nada. ''É normal pegar menos logo depois de uma chuva, mas hoje não tinha peixe nenhum.''
O geólogo André Celligoi, professor do Departamento de Geociências da Universidade Estadual de Londrina (UEL), explica que o problema é causado de duas maneiras. Em uma delas, o barro chega até o lago por meio da enxurrada e vertentes que vêm diretamente das ruas, pela ausência de mata ciliar, que funcionaria como barreira de proteção. O outro caminho da terra são as tubulações da rede pluvial. ''Os terrenos que são abertos para construções permanecem muito tempo sem qualquer forma de contenção durante a terraplenagem. Com a chuva há o assoreamento. A quantidade de sedimentos é tão grande que já é possível ver a formação de ilhas pelo lago'', observa Celligoi.
Para o professor, o problema reflete o descaso por parte de quem constrói e a ineficiência da fiscalização. ''Sabemos se uma cidade é bem gerenciada em termos ambientais quando, após as chuvas fortes, os lagos não ficam barrentos com facilidade.''
Em tom de desabafo, o secretário municipal do Ambiente, Carlos Levy, admitiu que o problema de assoreamenteo dos lagos ''é grande e caro para se resolver''. Segundo ele, ''os grandes proprietários da região não fazem a conservação adequada do solo e o custo disso fica para o Poder Público e para a população''. Levy acrescenta que o Conselho Municipal de Meio Ambiente já fez resolução à respeito e discutiu o assunto com o setor, mas pouca coisa foi feita. Ele avisou que o próximo passo poderá ser multar os infratores.


