Barriga de aluguel vira oportunidade de renda
Barriga de aluguel vira
oportunidade de renda
De Cascavel e LondrinaA decisão de uma dona de casa de Cascavel de alugar a barriga para gerar filho para outro casal está motivando outras mulheres de várias regiões do Estado à mesma pretensão. Em todos os casos o motivo são dificuldades financeiras. Maria, 50 anos, publicou em janeiro anúncio no jornal sobre a intenção de alugar a barriga e revelou que está fechando negócio com um casal de Umuarama por R$ 20 mil.
Maria é casada e tem dois filhos. Ela passou a orientar, por telefone, mulheres que querem se inteirar de detalhes de negociações feitas por ela com casais interessados. Ontem, quem a procurou foi Roseli Ghizoni, 28 anos, cabeleireira, casada, mãe de uma menina de 9 anos e um menino de 7 anos, residente em Salto do Lontra (60 km ao norte de Francisco Beltrão). Roseli também tentou publicar anúncio na Folha, que decidiu não mais aceitá-los por questão ética.
Roseli, casada com um taxista de 35 anos, que concorda com a decisão, diz que quer alugar a barriga porque o casal tem renda baixa. É por necessidade, mas também quero ajudar algum casal que não possa ter filho. Ela confessa que inicialmente estava meio sem coragem, mas depois de conversar com Maria ficou mais tranquila.
Em londrina a enfermeira desempregada Tânia Pereira também resolveu alugar a barriga, depois que leu matéria sobre o tema publicada em janeiro pela Folha. Casada e mãe de cinco filhas, Tânia afirma que não consegue encontrar emprego porque tem problemas com seu registro profissional. O marido, caminhoneiro, foi assaltado recentemente e agora também está parado.
A candidata a mãe de aluguel, disse que há cinco anos, quando morava em Praia Grande, litoral de São Paulo, recebeu proposta semelhante mas na época não aceitou porque não enfrentava dificuldades financeiras. Tânia Maria quer R$ 20 mil para gerar um filho. Ela conta com o apoio das filhas mas ainda precisa convencer o marido, que não aceita a idéia.
Há controvérsias sobre a legalidade da barriga de aluguel porque não há lei específica a respeito. O assunto refere-se mais à questão ética, inclusive quanto à decisão do médico de introduzir na barriga alugada óvulos fertilizados por outras pessoas.





