Barricada contra desocupação
Curitiba - As cerca de 1,5 mil famílias que invadiram uma área no bairro Fazendinha construíram barricadas com pneus ao redor do terreno para evitar a desocupação, prevista para ontem. Os donos da área, a Varuna Empreendimentos Imobiliários - empresa ligada ao Grupo CR Almeida -, conseguiram o despejo na Justiça, mas a Secretaria do Estado de Segurança Pública informou precisar de mais tempo para aplicar a ordem judicial.
O moradores ficaram em vigília durante toda a madrugada. Na quarta-feira, eles receberam um interdito proibitório contra a possível ocupação de um terreno em frente, pertencente à Prefeitura.
Segundo Luiz Herlain, membro da União Nacional de Moradia Popular (UNMP), os moradores estão dispostos a negociar para ficarem no local. ''Encontramos muitas irregularidades nos documentos apresentados pelos ditos proprietários. Quando soubermos quem é mesmo o dono, queremos falar com ele'', afirma.
Segundo a coordenadora da UNMP, Maria das Graças Silva de Souza, a população está com medo de sair do local de surpresa. Os moradores pedem um aviso prévio porque existem muitas crianças (quatro nasceram dentro da ocupação) e idosos, além daqueles que não têm para onde ir. A ativista afirmou que, caso a ordem seja executada, a resistência será feita à medida do ataque. ''Se não formos agredidos, não haverá reação. Estamos preparados para defender a causa da moradia própria, mas não acreditamos em ação violenta por parte da polícia'', comenta.
Durante a tarde, moradores da área foram à Câmara de Vereadores e à Assembléia Legislativa procurar lideranças para discutir a questão. Aos vereadores, eles pediram um esforço para transformar o terreno em área de interesse social, e aos deputados, a intervenção junto à prefeitura em favor dos invasores. De acordo com Luiz Herlain, durante todo o dia os moradores receberam informações contraditórias sobre o prazo do despejo. No fim da tarde, a assessoria de imprensa da Secretaria do Estado de Segurança Pública informou que ainda não teria programado a ação de despejo.





