A Secretaria de Segurança determinou que o 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM) montasse um verdadeiro aparato com mais de 150 homens para impedir que manifestantes chegassem perto da Casa de Custódia de Londrina. Toda a Tropa de Choque do 5º BPM, cerca de 80 homens, foi deslocada para a estrada do distrito de Maravilha, na zona sul da cidade. Duas barreiras foram montadas, a primeira na saída do Jardim União da Vitória e a outra a 1,5 quilômetro da nova cadeia. No União da Vitória, o trânsito estava sendo desviado e ninguém passava, inclusive convidados para a cerimônia de inauguração.

Os policiais começaram a se posicionar por volta das 8 horas e quando aproxidamante 150 manifestantes chegaram, às 10 horas, não conseguiram passar. Quatro ônibus, três Kombis e vários carros particulares ficaram retidos na primeira barreira. Caminhando entre matagal e lavouras, os manifestantes conseguiram se deslocar até a segunda barreira, mas a Tropa de Choque impediu o avanço.

Os policiais não estavam permitindo nem que os moradores da região passassem pelo local. Todos foram obrigados a esperar até os que os manifestantes se retirassem da segunda barreira, retornando ao Jardim União da Vitória, o que só ocorreu por volta das 11h30. A aposentada Natália Gonçalves, 74 anos, residente no patrimônio Três Bocas, voltava do hospital quando foi impedida de seguir para casa. Ela começou a passar mal por causa do sol e calor e teve que ser socorrida. Uma viatura policial a levou até a residência.

''Acho um absurdo a gente não poder nem ir para casa. Se eles querem dar segurança para o governador, porque não fizeram essa barreira lá, na cadeia? Precisava tudo isso só porque o homem não quer ouvir desaforo?'', questionou um agricultor que não quis se identificar.

Segundo o subcomandante do 5º Batalhão, major Amadei, que coordenou toda a operação policial, a intenção inicial era permitir o acesso até o pátio externo da Casa de Custódia, onde os convidados poderiam estacionar os carros. ''Mas o local estava cheio de pedras e avaliamos que, por medida de segurança, seria melhor parar o pessoal na estrada. Não queríamos ter que entrar em confronto direto com eles, se por acaso alguém mais exaltado começasse a jogar pedras'', justificou.

Mas os policiais e o sol forte não impediram que os manifestantes protestassem contra o governador. Eles xingavam Lerner e gritavam palavras de ordem com ''Eu quero estudar, governador não quer deixar'' e ''Você, fardado, também é explorado''. Depois os grevistas fizeram uma barreira com galhos e pneus.

Por duas vezes o presidente do Sindicato do Servidor Público Técnico Administrativo da UEL (Assuel), Itamar Nascimento, tentou atear fogo à barreira mas foi impedido pelos policiais. Uma segunda barreira de galhos foi incendiada em uma bifurcação da estrada, sem que os policiais impedissem.

Para Nascimento, o aparato policial foi ''excessivo''. ''Nós queríamos passar uma mensagem ao governador e encontramos tudo isso. Esperamos que o governador ponha a mão na consciência e mude essa postura rude e truculenta'', afirmou. Ao ser informado que Lerner chamou os manifestantes de ''baderneiros'', o sindicalista retrucou: ''Se alguém faz baderna é o governador. Ele faz baderna com toda a população do Paraná''.

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