Barreiras físicas vencidas aos 60
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terça-feira, 08 de março de 2011
Mie Francine Chiba <br> Reportagem Local 
Cornélio Procópio - Tem quem, mesmo depois dos 60, continue na ativa praticando esportes, tem quem nunca praticou nenhuma modalidade e que tenha começado depois de entrar na terceira idade. Cerca de 350 idosos praticam em Cornélio Procópio (Norte), vôlei câmbio, vôlei adaptado, basquete relógio, handebol, futsal e atletismo, modalidades de esportes adaptados para a terceira idade.
Eles são tricampeões do Estado em esportes adaptados - pentacampeões em basquete, tetracampeões em vôlei, bicampeões em atletismo. Cerca de 230 competem todo ano nos Jogos Estaduais de Esportes Adaptados, agora realizado em Guaratuba (Litoral).
Esses idosos - que têm entre 50 e até 94 anos - fazem parte de Associação de Esportes Adaptados da Terceira Idade de Cornélio Procópio (Aesaticop), e são treinados pelo professor Sílvio Victor, que já esteve entre os melhores do País e foi lembrado em ranking mundial de atletismo no mesmo ano (1992).
Em seis núcleos espalhados pela cidade, o grupo se reúne para praticar. Dona Leontina Penteado Licorini, de 86 anos, se desloca quase todo dia de Nova América da Colina, a cerca de 22 km, com ônibus de linha para se exercitar em Cornélio Procópio. Praticante de vôlei e basquete, ela é uma das competidoras que já participou dos Jogos de Estaduais.
Seu Domingos de Lima, de 66 anos, guarda noturno aposentado, nunca tinha praticado esportes. Jogando vôlei, handebol, basquete e vôlei escuro, o professor Sílvio afirma que hoje ele tem bom desempenho. ''Fez muita diferença. A gente se sente mais disposto.''
Para Antônio Benedito de Oliveira, que ainda não completou os 60, mas logo deve chegar lá, as atividades com a Associação foram uma oportunidade de voltar a praticar esportes. Jogador de futebol amador no time do Palestra, em Santa Mariana (SP) dos 15 aos 35 anos, parou por causa da idade, mas agora retornou em outras modalidades: vôlei adaptado, vôlei escuro, handebol e basquete. ''Resolvi voltar no meio da teceira idade. E o dia que não tem, a gente sente falta.''
Etapas vencidas
De acordo com o professor Sílvio Victor, as atividades do projeto começaram com atividades físicas que trabalhavam em cima das inevitáveis perdas da idade e das necessidades do dia a dia. Mas com o tempo, ele foi percebendo que esta etapa já estava vencida. ''Eles já conseguiam pisar firme, girar sem cair, e avançamos para o esporte adaptado. Assim, vimos que houve uma aceitação muito grande. Os idosos sempre querem provar que são capazes, e hoje não querem mais largar o esporte adaptado'', diz o professor.
Ele explica que o esporte adaptado é a modalidade que não tem o agarra-agarra e o empurra-empurra dos esportes tradicionais. ''Não há contato físico, nem choques para preservar a integridade do idoso.'' Três vezes por semana, o grupo de reúne no Centro de Eventos da cidade para alongamento e fortalecimento.
''Acho um erro dizer que o idoso não pode fazer atividade nenhuma. O idoso deve se exercitar com tal intensidade diante de pessoa que possa orientá-lo de forma coerente'', opina.


