Blumenau - Nos últimos dias, o vigilante Reno Souza Ramos não tem dormido bem. Durante a noite, quando a chuva volta a cair, os vizinhos saem pela ladeira estreita chamando quem pode para ajudar a conter a água. "Nós improvisamos essas barreiras para evitar que a água entre nas casas", contou. O sistema de alerta é mais eficiente que o da Defesa Civil, que está sobrecarregada atendendo outras áreas mais atingidas na cidade.
A rua onde o vigilante mora contabiliza dois mortos e uma pessoa ferida gravemente. Miguel Nascimento, de 73 anos, e Francisco do Nascimento Júnior, de 38 anos, pai e filho, foram soterrados no domingo de manhã, quando o morro cedeu e árvores, água e pedras destruiram as três últimas casas da rua e danificaram pelo menos outras duas. "Estava chovendo a tanto tempo que ninguém pensou que algo assim poderia acontecer", explicou.
Agora uma das tubulações do morro que se rompeu no domingo mantém um fluxo constante de água circulando na rua. "Ontem (terça-feira, dia 2), a chuva que caiu de noite já ameaçou invadir as casas novamente", contou. Para evitar uma enchente, os moradores usaram pedras, madeira e a própria força para conter a enxurrada. "Fiquei boa parte da noite aqui fora ajudando a segurar a barreira", disse.
Já a diarista Beatriz Ramos, que morava numa das casas danificadas pelo desmoronamento. "Estou esperando a Defesa Civil avaliar se a casa está condenada ou não", contou. Apesar da pilha de escombros ainda deixar viva na lembranças dos vizinhos a história dos dois moradores mortos na enxurrada, Bernardina Vicente, que é proprietária da casa onde morava Beatriz, ainda pensa em voltar. "Morei aqui 32 anos. Essa é a primeira vez que algo assim aconteceu", disse.
Na casa de Bernardina também morava o filho dela, que se mudou para Indaial na semana passada. "Ele perder até o carro", contou. O veículo ficou soterrado quando o morro veio abaixo. "Ele só tinha pago a primeira prestação", lamentou.(R.C.F.)

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