Barragem sem uso é alvo de denúncia
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quinta-feira, 13 de maio de 1999
Luciane Tonon 
Uma barragem inutilizada há 40 anos no Rio Laranjinha, em Ribeirão do Pinhal (53 km a oeste de Jacarezinho), pode ser a causa da diminuição dos peixes nos rios de Ibaiti. A denúncia partiu da Câmara de Vereadores e do Ministério Público de Ibaiti, atendendo pedidos de pescadores que estão se sentindo lesados.
Nós estamos solicitando uma intervenção junto ao governo do Estado, porque a ausência de peixes é um crime ecológico. Se a barragem estiver impedindo, tem que ser destruída. A construção dessa obra foi um desperdício de dinheiro público. Gastaram uma fortuna em vão, disse o vereador Gilmar Cândido (PFL). Segundo ele, a câmara enviou requerimento para o Ministério Público, Secretaria do Meio Ambiente, Instituto Ambiental do Paraná (IAP), entre outras autoridades.
A promotora de Ibaiti Maria Cecília Delisi Rosa Pereira disse que, numa pré-avaliação, a barragem não serve para nada e ainda está prejudicando o meio ambiente. Solicitamos medidas cabíveis ao Ministério Público de Ribeirão do Pinhal e esperamos uma resposta o mais breve possível, ressaltou. Maria Cecília tem tratado os assuntos de meio ambiente com muita seriedade na região, uma vez que a base econômica da localidade está no campo.
A barragem do Laranjinha, como é conhecida, foi construída na década de 50, com o intuito de ser uma usina de energia elétrica. Porém, pouco tempo após sua inauguração, a pequena usina foi desativada. Ela estava em lugar impróprio. Quando chovia o rio transbordava e inundava toda a casa de máquinas, relatou o aposentado Sebastião Nunes da Silva, 80 anos, que mora desde 1963 no local. Parte do equipamento foi vendida. Lembro que as máquinas foram transportadas em vários caminhões para o município de Marmeleiro do Sul, disse.
Hoje a barragem, que é patrimônio do Estado e está sob cuidados do IAP, serve de parada turística. Todo final de semana tem gente aqui se banhando e os pescadores do lado de cá da barragem não reclamam da falta de peixes, disse Silva. Ele acha inviável a destruição da barragem. Acho que o rio vai ficar violento e ninguém mais vai se divertir.
Para Silva e sua família, a falta de peixe tem outro motivo. Sua filha, Selma Aguinalda da Silva, 29 anos, contou que uma vez por ano costumam descer toneladas de peixe mortos. Não sei se isso se deve à descarga da usina de álcool de Ibaiti. Mas não acredito que a escassez de peixe seja em virtude desta barragem, disse. Na opinião dela, a destruição da barragem não seria prioridade.
O técnico do IAP de Cornélio Procópio, Vanderlei Braiano de Paula, disse que a usina fica entre os municípios de Congonhinhas e Ibaiti. Eventuais lançamentos de efluentes químicos ajudariam na mortandade dos peixes, mas já foi feita coleta da água e não foi constatado nada, garantiu. A barragem não é alta - só três metros de altura -, mas com certeza dificulta a subida dos peixes, explicou.
Em consequência, continua Vanderlei, os peixes ficam enclausurados na queda, onde tem oxigênio, transformando-se em um prato cheio para a pesca predatória. O técnico disse ainda, que as fiscalizações são constantes, mas o controle é difícil por falta de recursos humanos.
A promotora de Ribeirão do Pinhal, Kele Cristiani Diogo Bahena, disse que pretende avaliar todas as hipóteses da escassez de peixes. Se realmente a causa for a barragem do Laranjinha e se ela for inútil, cabe aqui uma ação civil pública, afirmou.


