Uma visita à cinquentenária barragem do Lago Igapó também aponta para uma situação fora do normal. Em funcionamento desde a madrugada de 31 de julho de 1959, a estrutura de concreto vem recebendo um imenso volume de água. Nas paredes ao lado dos vertedouros, o líquido que escorre de alguns pontos pode levar a pensar em infiltrações.
''Eu passo por ali várias vezes ao dia e me parece que a barragem é uma bomba que pode estourar a qualquer momento. Temo uma catástrofe, principalmente diante desta cheia'', preocupa-se o comerciante Luís Carlos Palma, que mora desde 1985 na região. Ele lembra que todo bem pode ter sua vida útil prolongada quando trabalhos de prevenção e manutenção adequada são feitos. ''Mas não é o que eu vejo ali. Acho que está na hora de fazer uma avaliação técnica e tomar as providências necessárias.''
Em visita ao local com a reportagem da FOLHA, porém, o engenheiro responsável pelo projeto da barragem, José Augusto de Queiroz, garante que a estrutura está em boas condições e ainda aguenta ''mais uns 100 anos''. Segundo Queiroz, os veios d'água que escorrem das paredes tanto podem vir de baixo da estrutura, subindo pelos poros do concreto, como pode ser a água do lago que atravessa a estrutura. Seja o que for, não representa perigo, segundo o engenheiro. ''Isto está aí desde o começo, é normal. Outras barragens, em vários lugares do mundo, apresentam este tipo de umidade.''
Queiroz alerta, porém, para problemas nas juntas de dilatação da passarela sobre a barragem. Na avaliação do engenheiro, do jeito que está, os vãos podem continuar a ceder e a estrutura cair a qualquer momento. ''Um tarugo de concreto, chumbado por baixo da passarela, seria suficiente para reverter o perigo'', recomenda.
O secretário municipal de Obras, Nelson Brandão, informou por meio da assessoria de imprensa da prefeitura, que em função da situação atípica vivida no momento, marcou para hoje uma perícia no local, juntamente com o engenheiro que projetou a barragem.

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