Marcos BorgesSufocoZilda Marcelino de Souza: ‘Estamos passando necessidades, mas nenhuma autoridade aparece aqui para nos ajudar’A invasão nos terrenos do lado direito do jardim Santa Fé (zona leste) cresceu muito nestes dez meses de existência. No dia 9 de novembro do ano passado, o número de famílias invasoras estava perto de 30. Hoje, já são cerca de 300 barracos de madeira, tábuas e lonas plásticas. Sem instalação de água encanada, energia elétrica, esgoto ou qualquer outro recurso de infra-estrutura pública, os barracos estão amontoados desorganizadamente pelo espaço invadido.
Na maioria, eles pertencem a pessoas pobres, doentes e desempregadas que não conseguiam mais pagar aluguel residencial em diferentes bairros de Londrina. As centenas de famílias dependem de uma única mangueira - ligada a um cavalete da Sanepar fora da área invadida - para o abastecimento de água. O problema é que o mesmo cavalete serve a outras dezenas de famílias invasoras do fundo de vale do córrego Água das Pedras, no lado esquerdo do Santa Fé; que fica numa parte mais baixa e, portanto, recebe a água mais facilmente.
Nos barracos da invasão mais recente, que ficam no alto de um morro, a água só chega com regular intensidade à noite. Durante o dia, é comum a formação de filas de mulheres e crianças com baldes e latas à espera de água durante horas e horas. ‘‘O maior problema daqui é a falta de luz e água. Temos que esperar muito tempo na fila, para conseguir um pouquinho de água para nos lavar e fazer a comida’’, reclama o pedreiro desempregado Ernani Moreira da Silva, 55 anos de idade.
‘‘A falta de água aqui é uma tristeza. Ela só vem para nós à noite, depois que todos estão dormindo e com as torneiras fechadas lá na invasão do fundo de vale. Durante o dia, com esta seca e calor, passamos o maior sufoco’’, afirma a doméstica desempregada Eurides de Lima, 24 anos, que tem um filho menor e está grávida. A catadora de papel Zilda Marcelino de Souza também não se conforma com a situação: ‘‘Estamos passando por grandes necessidades, mas nenhuma autoridade da Cohab, da Prefeitura, da Câmara, aparece aqui para nos auxiliar. Eles só procuram a gente, mesmo, em época de eleições.’’
O ex-mergulhador profissional Kennedy de Oliveira, 34 anos, desempregado após um acidente de trabalho, tem um barraco na invasão há seis meses. Ele diz que, empurrados pela falta de água encanada, muitas famílias têm se abastecido no córrego Palmital, que estaria com as águas poluidas por agrotóxicos. ‘‘Isto é muito perigoso, coloca em risco a saúde e a vida de centenas de pessoas, principalmente as crianças mais novas e fracas. Várias vezes buscamos uma solução junto à Cohab e a Sanepar, mas nada foi conseguido.’’
(Osmani Costa)

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