A compra e venda de lotes de terrenos invadidos e assentamentos é ilegal, mas é tão velha quanto a miséria. Para inibir este comércio, a Companhia de Habitação (Cohab) de Londrina está derrubando os barracos construídos como ‘‘fachada’’.
Só nos jardins Maracanã e João Turquino (zona oeste) a Cohab tem cadastrados cerca de 100 lotes nesta situação. Ontem, funcionários da Cohab derrubaram seis barracos na região. A madeira e eventuais peças colocadas dentro dos barracos são devolvidas aos ‘‘donos’’, sempre que eles se apresentam.
‘‘Temos 121 famílias morando em fundos de vale naquela região e que estão realmente precisando de um lugar para morar’’, afirmou o presidente da companhia, Carlos Eduardo de Afonseca e Silva. O levantamento foi feito através de visitas domiciliares, casa por casa. ‘‘Quando o barraco está lá só para comércio, não tem nada dentro e quando tem dá para ver que não é utilizado’’, contou.
Estes loteamentos populares são feitos pela Cohab a custo mínimo para as famílias carentes. Uma vez regularizados, a prestação varia de R$ 15,00 a R$ 20,00. Para ter uma idéia, há pouco mais de um ano, a Cohab registrou um caso em que o lote foi trocado por uma galinha, um botijão de gás e R$ 80,00. Hoje um lote no assentamento chega a ser comercializado por R$ 800,00.
Nem o cadastramento, feito para controle, tem sido o suficiente para impedir a ação das pessoas de má-fé. ‘‘Derrubar os barracos e destiná-los a outras famílias de forma ágil é a única forma de evitar que o comércio continue’’, enfatizou Afonseca.

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