Londrina

DespejoJosoé de CarvalhoDesocupação feita ontem por
oficiais de justiça na quadra 10,
data 5, do jardim João Turquino,
um assentamento de sem-teto no
jardim Olímpico, zona oeste de
Londrina: Cohab quer autorização
judicial para demolir o barraco,
entregar o material para
o verdadeiro proprietário e
encaminhar uma família da lista
de esperaOficiais de justiça desocuparam ontem o barraco da quadra 10, data 5, do jardim João Turquino, o assentamento de sem-teto do jardim Olímpico, na zona oeste da Cidade. A desocupação cumpre a ordem de reintegração de posse concedida à Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld) pelo juiz da 3ª Vara Cível, Vitor Roberto Silva. O trabalho dos oficiais foi acompanhado por moradores do assentamento que tentaram impedir a desocupação com a justificativa de serem amigos ou parentes do atual dono do barraco.
O pedido de reintegração de posse foi feito pela Cohab depois que o barraco foi, abertamente, colocado à venda ou troca com anúncio feito nas paredes de compensado do imóvel. A especulação imobiliária irregular, segundo informações da Federação das Favelas e Assentamentos, atinge 10% de todo o João Turquino, que hoje tem mais de 600 famílias. Antes de entrar com o pedido de reintegração de posse, a equipe do departamento de planejamento social da Cohab tentou várias vezes, segundo eles, fazer contato com o ocupante do barraco.
Informações colhidas pela equipe da Cohab revelam que o morador do barraco é um moço que só aparece à noite e o preço pedido era R$ 300,00. O verdadeiro dono do barraco, segundo a Cohab, Hamilton Braga, conhecido por Miltinho, logo apareceu no local para defender o imóvel do ‘‘amigo’’. Com ele, veio Isaac trazendo as chaves para abrir a porta. Isaac, de acordo com o levantamento da Cohab, é sócio de Miltinho no negócio. Um terceiro, que se identificou como Márcio da Silva Santos, apesar de ter sido chamado pelos companheiros por Rogério, disse que o barraco era de seu concunhado, mas não soube dizer o nome dele e demorou a encontrar um nome para a cunhada.
‘‘Eles têm três filhos, ela está grávida’’, insistiam eles. Quando os pertences do barraco já estavam em cima do caminhão, outros três rapazes, apontados pela Cohab como integrantes do grupo de especuladores do local, apareceram e tentaram impedir a saída do caminhão. Depois de admitir que eles tinham expulsado o antigo dono do barraco, um deles, identificado por Bagre, disse que o atual dono é conhecido apenas por Véio.
Os móveis e outros pertences do barraco, incluindo quatro livros novos sobre Código e Direito Penal, Inquérito Policial e Polícia Judiciária, foram levados para a casa de Márcio da Silva Santos. O barraco foi lacrado. A Cohab tenta agora conseguir autorização judicial para demolir o barraco, colocando o material à disposição do verdadeiro proprietário para então encaminhar uma família da lista de espera para ocupar o lote.

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